10 de julho de 2026
Geral

Centrinho fará cirurgias cardíacas

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O Centrinho começará a fazer cirurgias cardíacas pediátricas, assim que o novo prédio do hospital for entregue.

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, iniciará, em breve, a realização de cirurgias cardíacas pediátricas. O serviço terá início assim que o novo prédio do hospital, em fase final de construção, for inaugurado. A informação é do superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão.

Atualmente, as crianças portadoras de fissuras labiopalatais associadas a cardiopatias congênitas que necessitam de intervenções cirúrgicas são encaminhadas ao Incor, em São Paulo. Hoje, as nossas crianças são encaminhadas para lá e são operadas lá. Mas existe uma fila que você tem que observar. Muitas vezes, o tempo corre contra a criança - a necessidade cardio-respiratória vai tornando-se maior, disse Tio Gastão.

As crianças poderão ser operadas em Bauru assim que o novo prédio do Hospital for inaugurado. As obras estão sendo realizadas com verba do Governo Federal e recursos humanos da USP. O Centrinho terá um convênio com o Incor, cujos especialistas viriam para Bauru. Tio Gastão espera que em breve sejam liberados os recursos que faltam para a conclusão do hospital. Realmente, nós estamos aguardando o término do prédio. O ministro Serra (José) ficou de marcar uma nova visita, ainda durante este mês, para que tenhamos uma definição. Eu pedi a ele para que, se não der para terminar tudo, terminarmos por etapas - terminaríamos cinco andares, e depois os outros cinco. Terminando os cinco, nós já colocaríamos em funcionamento, que seria justamente a parte de maior complexidade do hospital expôs.

Além disso, o atendimento poderá ser estendido ao restante da população, de acordo com Tio Gastão. O Interior do Estado realmente é carente de cirurgias de cardiopatias congênitas em crianças, observou.

As cardiopatias

Numa pesquisa realizada com 260 pacientes do Centrinho, constatou-se uma freqüência considerada alta de cardiopatias congênitas entre o pacientes. Dos nossos pacientes com fissuras, 9,5% deles são portadores de cardiopatias congênitas, o que é significante quando se compara com a população geral, ressaltou o superintendente do Centrinho.

Ele acrescenta que a probabilidade de cardiopatias congênitas aumenta quando trata-se de pacientes sindrômicos. Quando é paciente sindrômico - paciente que tem, além de deformidades externas, deformidades internas -, eles encontraram 21,4%. É mais que o dobro que só o portador de fissura, cujo percentual era de 9,5%, afirmou.

A médica Maria Leine Guion de Almeida, especialista em Genética Clínica e Pediatria, salientou a alta demanda das cirurgias cardíacas pediátricas. O nosso hospital tem quase 35 mil pacientes fissurados hoje. Desses, a gente estima que 20% são portadores de síndromes diversas. Desses 20%, mais de 20% têm cardiopatia congênita. Muitas delas necessitam de cirurgia. É realmente um número expressivo. São cardiopatias complexas, graves e que necessitam intervenção precoce, disse.

As cardiopatias congênitas demandam exames de ecocardiogramas fetais, dos quais o hospital atualmente não dispõe. Para surpresa minha, eles até aconselharam que nós tivéssemos um serviço de diagnóstico precoce com ecocardiograma fetal para verificar se a criança já tem a lesão, para que se pudesse fazer um planejamento, evitando qualquer tipo de má conseqüência, explicou Tio Gastão.