08 de julho de 2026
Geral

Esqueça-nos a epidemia

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 3 min

Registros históricos, naturalmente antiquíssimos, dão conta de que a primeira manifestação reconhecidamente alastrante da falada gripe virótica, aconteceu cerca de 2.500 anos do início da era cristã, a qual, por seu turno, encontra-se agora na adiantada casa dos 2001. E, diga-se, que a partir de seu remotíssimo surgimento no cenário a doença jamais desapareceu do amplo seio da massa humana, à qual afeta, em todo o grande mundo, em ocasião específicas e volume de muitas dimensões. Contudo, a maior delas, dentre todas de que se tem notícia, constatou-se certamente na simpática Espanha, em 1918, e o fez com violência a ramificação tão grandes para chegar a ser definida, pela medicina da época, como elástica e irreprimível epidemia, haja vista que levou seus desastrosos tentáculos a vários ou quase todos os continentes, com uma somatória internacional de vinte milhões de óbitos, entre adultos, jovens e crianças de ambos os sexos.

Foi uma conseqüência verdadeiramente fabulesca, porquanto, não obstante decorridos agora 83 anos, ela ainda não se apagou inteiramente da memória de muitas gerações oriundas daquela era, e que ainda continuam se mantendo por aqui, entre milhões de viventes, assim superando galhardamente a imperturbável voragem destes apressadinhos tempos. Até hoje, com efeito, se fala da famosa Epidemia Espanhola... Cuida-se, no momento, de relembrar, tanto quanto possível, a enorme incidência de malefícios com que a doença tem castigado a indefesa humanidade, porque, conforme incisivo comunicado que a Organização Mundial de Saúde está expedindo às suas representações em todos os países, os povos deste iniciante milênio não estão livres de virem a passar, proximamente, por nova e grave epidemia do perigoso gênero. Explica incisivamente a notícia que o problema tem condições de surgir alacremente face à disseminação, ampla e sem controle, de compactas nuvens de gases ofensivos à saúde humana, que estão sendo lançadas, em proporções anômalas, a partir de diversas regiões do velho globo, com tendências irrefutáveis de provocarem prolongadas irrupções epidêmicas da moléstia, como as que a histórica pregressa infelizmente registra. E vai mais longe a informação, preconizando que, conseqüentemente, aos serviços de Saúde nacionais (oficiais e particulares) se impõe a adoção, de medidas urgentes que, muito mais que prevenir, impeçam ou obstaculizem a consubstanciação dos fatores que possam produzir os efeitos virais decorrentes das desastrosas emanações.

Precisam, então, todas as sociedades, de se compenetrarem de suas indeclináveis responsabilidades sócio-humanas e contribuirem com seu maior quinhão para que não venham a ser surpreendidas pela doença, de tamanho nenhum e muito menos epidêmico, como a que os fados começam a incinuar desgraçadamente. Trata-se de uma advertência válida, convenha-se, a fim de que o indesejado problema, se realmente acontecer, não se acrescente a tantos outros, dengue e aids, inclusive, que já ceifam diariamente por aí tantas vidas. Sem a menor preocupação propagandista, que a ética nos inibe, diríamos que, pelo sim ou pelo não, seria bom que os indefectíveis antigripais começassem a ser estocados desde logo nas providências farmacinhas domésticas. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.