A economia argentina iniciou, em 1991, uma fase de profundas reformas estruturais que levaram a um período de forte crescimento e baixa inflação, que se estendeu até 1998. Os principais pilares dessas reformas foram a chamada lei de conversibilidade, que estabeleceu a paridade entre o peso argentino e o dólar e assegurou a estabilidade de preços.
Entretanto, desde meados de 1998, a economia entrou num prolongado processo de recessão e a situação fiscal piorou. A força do dólar provocou importantes pressões deflacionárias que, ao contrário do que ocorreu nos primeiros anos da conversibilidade, não foram compensadas por um crescimento da produtividade. A sucessão de crises internacionais aumentou os gastos financeiros do governo argentino. O impacto deflacionário das crises internacionais começou a minar a área fiscal. As rendas fiscais afundaram, aumentando o desequilíbrio do setor público. Tudo isso aumentou a gravidade e a duração da recessão. Para atenuar os efeitos macroeconômicos e a alta dos preços devido à oscilação da taxa de câmbio do dólar, o governo argentino decidiu ampliar a conversibilidade, incorporando o euro à sua própria base monetária. Dessa forma, se estabelece um tipo de câmbio que será uma média entre o dólar e o euro. Esta modificação será operacional tão logo se alcance a paridade entre o euro e o dólar.
A conversibilidade ampliada permitirá preservar as características fundamentais do regime atual. Para antecipar as vantagens da conversibilidade ampliada, criou-se um mecanismo de compensação comercial, denominado fator de convergência. As exportações serão compensadas com um reembolso que leve em conta as diferenças entre a atual taxa de câmbio - um peso igual a um dólar - e o esquema aprovado pela nova lei de conversibilidade com o dólar e o euro. Este reembolso não é fixo, mas flutua de acordo com a taxa diária euro-dólar.
No tocante à política comercial, o fator de convergência tem diversas vantagens: protege a economia da valorização e da depreciação do dólar (ou do euro); compensa as oscilações dos preços no comércio internacional e reduz, de forma permanente, os desvios no contexto da preferência comercial no Mercosul. E, já que se trata de um fator temporário (que desaparecerá no momento em que o câmbio euro-dólar alcançar a paridade), resolve o problema político-econômico que surge sempre que o governo considera necessário racionalizar a política comercial.
A estratégia comercial da Argentina continua orientada para uma abertura comercial mais agressiva. Daí, o governo apostar na integração na economia global junto com seus sócios do Mercosul. O ponto de partida será a constituição de um organismo centralizado que deverá minimizar as dificuldades de coordenação entre nossos países e obter progressos nas negociações dos novos acordos comerciais multilaterais com o resto do mundo.
Em resumo, o programa macroeconômico está voltado para melhorar a competitividade da economia e, ao mesmo tempo, equilibrar as contas públicas. Qual o próximo ponto da agenda? De imediato, o governo se concentrará nas reformas estruturais que devem assegurar à Argentina um crescimento econômico sustentado.
O autor, Domingo Cavallo, é ministro da Economia da Argentina