10 de julho de 2026
Geral

O desequilíbrio ecológico é o reflexo do atual estado social do mundo

(*) Rosemari Aparecida de Abreu
| Tempo de leitura: 2 min

Percebe-se que, antigamente, o homem tinha a impressão de que os recursos da natureza eram infinitos. Por exemplo, o caçador de mamutes via tantos, tantos deles e só conseguia capturar um ou outro, entendendo, assim, que o número era infindável. A noção de que a natureza é infinita mudou a partir do momento em que o homem, dominando a técnica, fabricou máquinas capazes de, em poucos dias, destruir uma floresta: ou indo a extremos de em poucos minutos acabar com o mundo.

Sabe-se agora que os recursos materiais da Terra têm fim. Se continuar a agressão ao meio ambiente, em poucos anos o Planeta não será capaz de assimilar tanta pancada.

A Terra é frágil. Melhor, ficou frágil. Antigamente, o homem tinha medo da natureza: raios, trovões, inundações, rios e mares enormes, frio e calor. O homem não conhecia a natureza. Hoje, a situação inverteu-se, ele tem medo da própria delicadeza da Terra.

Se declararmos guerra à natureza, somos os perdedores ao vencê-la. Se a tratássemos com amor, ela poderia ser infinita, desde que não fosse saqueada ao extremo de sua resistência e capacidade regenerativa.

Para reverter o quadro, é preciso uma luta que ainda carece de estratégia global. Porque os que pensam em favor da Terra não têm poder além da palavra. Seus assassinos continuam matando-a impunemente. Maior calamidade do que a de hoje, só a reta final da destruição do mundo.

Até hoje, a história dos homens foi contada em separado da história da natureza. Fruto, naturalmente, do desprezo ocidental pelos valores ecológicos. O ter suplantou o ser, ajudando o processo de embrutecimento da humanidade. Mas a história do homem não se separa da história da natureza.

Observa-se, nesse aspecto, que o desequilíbrio ecológico é o reflexo do atual estado social do mundo. Um mundo harmônico refletiria um equilíbrio entre a justiça e a igualdade. A desarmonia vive do desequilíbrio, injustiça,competição, que gera o desajuste na corrida do lucro. Não é por acaso que o homem, ao desarmonizar a natureza, reproduz com esse crime a própria injustiça que submete milhões de semelhantes.

E tudo indica que, para resolver o problema da sobrevivência do homem, é preciso mudar as formas de exploração da própria natureza que o alimenta de tudo: ar, água, solo, matéria-prima, tudo. Reverter esse quadro e aproveitar a Terra sem maculá-la (manchá-la, sujá-la). Como? Essa resposta Marx já disse há tempo: o trabalho é o pai da riqueza, a terra, a mãe.

(*) Rosemari Aparecida de Abreu é pedagoga e geógrafa da Rede Estadual de Ensino - e-mail: rosemariabreu@ig.com.br