Quando deu início à sua meritória assistência hospitalar à criança fissurada, o nosso simpático Centrinho editou um opúsculo expondo amplamente seus sadios objetivos. E estampou na capa o rosto comovente de um garotinho, mostrando deformidades de seus pequeninos lábios, além de um tristonho dístico expressando a filosofia da instituição, que dizia: Aqui lutamos por você e por todos os iguais a você. Reabilitando-os seremos todos iguais! A frase comove? Claro que sim, pois tem o condão de mexer com o coração de todos. E não apenas comove, pois faz até chorar. Realmente!
Na oportunidade, lembrando-se da gente como um dos propugnadores, através da imprensa, da desejada instalação de nossa Faculdade de Odontologia, sob cujo influxo nasceria o grande Centrinho, um bondoso amigo, o denodado Tio Gastão, seu superintendente, não deixou o jornalista sem conhecimento visual do valioso livreto. Enviou-lhe um exemplar, que vimos desde então conservando indefinida e orgulhosamente em nossa pequena biblioteca doméstica, e, a partir do qual, pusemo-nos logo por dentro da programação carinhosamente desenvolvida pela instituição, que viria, como na verdade veio, ampliar os horizontes da vida de milhares de crianças, permitindo-lhes a ventura da necessária normalidade física.
Em várias oportunidades tivemos a satisfação de externar nossa admiração quanto aos elevados méritos, absolutamente natos, desse querido organismo, seja pela proficiência de seu comando e de sua equipe de profissionais especializados, tendo na sua ampla retaguarda assistentes e auxiliares bem preparados e dedicados, seja pela alta tecnologia de seu moderníssimo equipamento, inserido entre os melhores existentes no mundo a serviço de fissurados. E aí está ele, efetivamente, valorizado por uma projeção nacional e internacional que lhe outorga posição invejável dentre os mais evoluídos e organizados serviços do gênero que o universo conhece. E, agora, com campo aberto para novo avanço, pois, conforme noticiário geral, está partindo para mais uma especialização, como as cirurgias cardíacas pediátricas. Até o momento realizadas no Incor-SP, elas vão passar a ser executadas também pelo próprio Centrinho, que fará com que cresça ainda mais, sem qualquer dúvida, o acervo de orgulho que o hospital já reúne no grande conceito da cidade, suas autoridades, figuras gradas e população.
O Interior do Estado é realmente carente de cirurgias de cardiopatias congênitas em crianças, destaca Gastão, e, tão breve quanto possível, o Centrinho virá a concorrer para que o problema seja minimizado, conquista que merece frenética salva de palmas, conseqüentemente ao enorme número de menores, da cidade e de distantes pontos do País, que por ele vão ser beneficiados, tornando iguais todas as crianças e permitindo que não haja mais por aí meninos e meninas cujas antiestéticas fissuras não lhes permitam ter a santa alegria de poder sorrir, para papai, mamãe, irmãos e amiguinhos. Sorria, meu bem, sorria!, aconselha aquela bonita canção. Certo? (É a nossa opinião).
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.