08 de julho de 2026
Geral

Aparelhos públicos de lazer perecem

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

O município inteiro dispõe apenas de quatro ginásios e dez estádios esportivos, além de poucas praças e área verde limitada. A escassez pesa negativamente contra a cidade, na medida em que reduz o índice de qualidade de vida.

Sem condições de pagar a mensalidade de clubes e associações privados, a grande parcela da população bauruense poucas opções tem para os momentos de lazer. Moradores da zona periférica, particularmente crianças e adolescentes no período de férias escolares, são os mais prejudicados com a escassez de aparelhos públicos destinados à prática esportiva amadora e à recreação. Com exceção de alguns projetos - bons, mas ineficazes em termos de extensão no atendimento -, o município fica devendo muito e contribuindo com a queda na qualidade de vida, pois já é provado que os índices de violência e criminalidade estão diretamente ligados à oferta do lazer comunitário.

A carência de equipamentos públicos de lazer e convívio social - aqui se incluem praças, áreas verdes, quadras poliesportivas e campinhos de futebol - é um fenômeno peculiar em Bauru. A cidade experimentou um crescimento rápido e desordenado em suas regiões periféricas, processo durante o qual as autoridades públicas negligenciaram atenção ao aparelhamento recreativo, educacional, de saúde e social. Tal verdade pode ser atestada em vários bairros, onde praças públicas e áreas verdes são espaços raros de se encontrar. Os parques Jaraguá e Santa Edwirges são alguns exemplos que afastam qualquer dúvida.

Se o problema se limitasse à ausência dos equipamentos, a situação não seria tão caótica. A questão é que, mesmo onde eles existem, o tratamento dispensado pelo poder público deixa muito a desejar, para não dizer que é péssimo em alguns pontos. Seguindo o roteiro dos aparelhos listados pela Prefeitura, o que se vê é uma cena de completo abandono. Dos 20 pontos que foram oficialmente inaugurados na cidade, poucos são os mantêm a estrutura original. A maioria, ao contrário, revela a falta de manutenção ou o esquecimento completo, como os estádios distritais do Jardim Araruna e Mary Dota - o primeiro em péssimas condições e o segundo, abandonado.

Por sorte, a cidade foi escolhida para sediar a 45.ª edição dos Jogos Regionais, evento que deve reunir esportistas de 48 municípios paulistas. À Secretaria Municipal de Esportes, o Estado repassou uma verba de R$ 150 mil para as adequações necessárias. Na verdade, o dinheiro foi aplicado em reformas urgentes, daquelas imprescindíveis para uma estrutura que se dispõe a receber várias delegações de atletas e cerca de 350 pessoas do comitê organizador. Os jogos acabaram viabilizando uma melhoria que há muito se esperava.

Em virtude das reformas, vários aparelhos esportivos de lazer foram fechados à comunidade, que, nestas férias, passará de usuária à espectadora. Até mesmo as atividades perenes, como a liga de futebol amador e escolinhas de atletismo, foram suspensas este mês. Felizmente, a boa apresentação dos atletas regionais promete preencher o vazio.

Nem todos os bairros, contudo, contam com a estrutura de ginásios e estádios distritais - que somam 14 no total. O que vale nesses locais são as praças e quadras abertas e, quando estas inexistem, a criatividade. No Parque Jaraguá, por exemplo, o lazer dos adultos é ficar na porta de casa ouvindo música ou beber com os amigos no bar mais próximo. No bairro, aliás, a intolerância decorrente da ingestão de bebida alcoólica é tida como um dos motivadores dos delitos cometidos.

A falta de opções na Vila Nova Esperança também se reflete no comportamento dos moradores, que recorrem às ruas para o lazer. Lá, por exemplo, adolescentes e crianças em férias improvisam campos e quadras esportivas em cima do asfalto. O Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic) e a quadra de esportes da escola mais próxima permanecem fechados durante o recesso escolar. Os portões fechados, justificados extra-oficialmente para conter depredações, sinalizam o subaproveitamento das estruturas públicas existentes.

Para as crianças, a oferta de lazer nas férias escolares se amplia com alguns programas culturais. As bibliotecas ramais funcionam bem para o público já habituado a freqüentá-las - o número de novos visitantes não costuma dar grandes saltos nas férias - e os cursos de férias chamam a atenção da garotada. Pena que sejam tão tímidas as iniciativas.

Ainda para o lazer, agora já falando do roteiro turístico oferecido pela cidade, o Zoológico, Jardim Botânico Municipal e o Horto Florestal continuam sendo boas opções. Atrações de baixo custo, esses pontos são ideais para serem visitados aos finais de semana, com a família, num lazer programado. Todos os três têm boa estrutura para acolher visitantes, muito diferente das áreas públicas periféricas, que amargam o perecimento por falta de atenção.