08 de julho de 2026
Geral

Quanto custa um funeral? Depende...

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Empresas oferecem serviços completos para amenizar a dor da família. Preços variam conforme gosto e poder aquisitivo.

Morrer faz parte da vida e como vivemos num mundo capitalista, morrer também tem um custo. O preço de um serviço funerário depende do gosto da família do morto. Um funeral simples pode custar cerca de R$ 300,00, mas um luxuoso com salas vips ou cinco estrelas e apartamento para os parentes que residem fora, chega a custar até R$ 3 mil.

A vaidade do morto, mesmo após a sua morte, pode fazer com que a família opte por um funeral luxuoso, com muitas flores, anúncio em jornal e rádio e um serviço de buffet aos parentes e amigos que vão se despedir daquela pessoa. Atualmente, a família do morto não tem muitos transtornos com o funeral. A empresas especializadas vendem um serviço completo, ninguém compra só a urna. O serviço funerário providência, inclusive a documentação para a família.

Como prestadora de serviços, as funerárias preparam o morto na urna, providênciam as flores do caixão, a documentação, o velório, o enterro e o sepultamento, explica Lúcia Helena Costa, proprietária de uma das funerárias de Bauru. De acordo com ela, a rotina do sepultamento é a mesma para mortos de origem humilde ou abastada. O que muda é o material e a quantidade de complementos. Nós vendemos um pacote onde a urna é um complemento. Para todos os mortos é desenvolvido a mesma rotina.

O que a empresária chama de rotina é o serviço prestado pela funerária. O morto é lavado, maquiado e arrumado na urna. O velório e o transporte, assim como o enterro e a assistência à família estão incluídos nos serviços. Para transportar o morto para outra cidade as funerárias cobram uma taxa adicional, cerca de R$ 0,50 por quilômetro rodado, lembra Fernando Antônio Colnaghi, proprietário de outra empresa funerária da cidade.

Segundo ele, o transporte do morto e o sepultamento estão inclusos nos serviços funerários, porém, quando a família quer enterrar em outra cidade é cobrado um adicional. O empresário frisa que para qualquer tipo de serviço há parcelamentos. Nós parcelamos em três ou quatro vezes. Já na funerária de Lúcia Costa, o parcelamento pode ser até em cinco vezes.

Roupas

As empresas funerárias estão equipadas para os imprevistos, caso a pessoa morra fora de seu domicílio, explica a empresária. Temos ternos e roupas femininas básicas para poder vestir o morto, caso ele esteja a passeio na cidade e morra.

A mortalha, uma espécie de manta que dispensa as flores do caixão, é outro acessório que poderá ser usado pela família do morto. Algumas famílias não gostam do cheiro das flores e optam pela mortalha, um acessório que existe há mais de 40 anos.

Maquiagem

O estojo de maquiagem das funerárias é muito diferentes dos usuais, ou seja, do estojo dos vivos. Para maquiar o morto é necessário, algodão para enchimento das bochechas, esparadrapo, fita rugosa, tesouras, alicates etc. A maquiagem do morto, segundo Lúcia Costa, visa deixá-lo com uma aparência natural. Para que ele não fique com uma cor muito diferente daquela que ele apresentava em vida. Uma mulher por exemplo, que usava baton vermelho, pode ser maquiada com a mesma tonalidade de baton, se a família quiser.

Para que a maquiagem não seja algo que dê destaque, a empresária explica que os funcionários são treinados a fazer algo bem natural. Normalmente a maquiagem é feita com cores básicas para que não chame muita atenção, uma maquiagem suave. Os maquiadores, funcionários das próprias empresas funerárias, são treinados para fazer o serviço, dizem os empresários. Há cursos especializados para maquiar mortos.

Luxo

Até na hora da morte há divisão de classes sociais. Um morto humilde será enterrado com poucas flores e numa urna de madeira sem griffe.

O morto abastado poderá optar por uma urna em madeira de griffe, como uma confeccionada em mogno. Os familiares dos mortos abastados poderão contar com sala vip, ampla, com vários sofás e até um apartamento para repouso ou troca e banho.

Crematório

O vivo que quiser ser cremado terá que avisar a família, pois o trâmite da cremação é diferente do sepultamento normal, segundo Fernando Colnaghi. Há necessidade do atestado de dois médicos comprovando que aquela pessoa está morta. O morto terá que ser transportado até São Paulo, cemitério da Vila Alpina, onde é feita a cremação. O transporte será cobrado pela empresa encarregada pelo serviço funerário.

Quanto custa

Nas funerárias privadas um serviço funerário simples varia de R$ 300,00 a R$ 3 mil. Sendo que o mais simples não dá direito a sala de velório. O serviço funerário municipal varia de R$ 384,00 a R$ 2.886,00, sendo que o diferencial é que mesmo no mais barato, está incluído a sala de velório e a nota de falecimento no jornal.

Para sepultar nos cemitérios municipais é cobrada uma taxa de R$ 70,00 para túmulos simples e R$ 90,00 para túmulos tipo galeria.

O jazigo, ou seja o terreno onde o caixão será enterrado custa R$ 620,00 nos cemitérios municipais, Cristo Rei e Redentor, onde ainda há terrenos à venda. O jazigo é para sempre e não há taxa de manutenção.

Nos cemitérios da Saudade e São Benedito não há mais terrenos a venda. No cemitério Jardim do Ipê, existe duas opções de compra, explica a funcionária Shirlei Soares. Se a compra for feita para uso imediato, chamada de pronto sepultamento o jazigo simples custa R$ 3.400,00. Custo que pode ser dividido em até três vezes.

Se a compra do terreno for antecipada o custo poderá ser financiado em até 48 meses. Os jazigos maiores, com seis gavetas, custam R$ 6,8 mil e com nove, R$ 10,2 mil, valores que podem ser pagos em até três vezes.

As coroas de flores variam de preços. As mais simples e menores custam em torno de R$ 100,00. Conforme ela for se sofisticando, o preço vai aumentando, chegando até R$ 180,00.

Indigentes

Os indigentes e os mortos que não possuem jazigos podem requerer o serviço gratuito da funerária Municipal. A empresa oferece a urna e o serviço de transporte e sepultamento sem nenhum custo para a família. Neste caso, o corpo será velado na casa do morto ou na igreja ou centro comunitário do bairro onde ele mora.

Para enterrar indigentes ou pessoas que não possuam o jazigo há espaços no cemitério do Jardim Redentor, explica o gerente da funerária, José Tavares Martins. O morto é enterrado em covas individuais por três anos. A família poderá neste período adquirir um jazigo ou emprestá-lo de algum parente.

Fundo mútuo

O preço do fundo mútuo, um plano que os vivos podem pagar e assegurar que seus familiares não tenham despesas numa hora inesperada, varia de R$ 7,00 a R$ 10,00, mensais. O pagamento é eterno, porque o dia que a família parar de pagar, perde o direito aos serviços funerários, explica a empresária Lúcia Costa. A pessoa paga a taxa por quatro anos, mesmo que não use os serviços tem que renovar o contrato.

O pagamento da mensalidade dá direito aos serviços funerários considerados médios para a família. Os pais, sogros e filhos solteiros, além do casal, é claro.

O serviço funerário inclui: urna(caixão), sala de velório, transporte, sepultamento, documentação, flores e até cafezinho. O serviço mais barato não inclui sala de velório, ou seja, o morto terá que ser velado em sua casa.