Comunidade reivindica asfalto; moradores fecharam ruas ontem, impedindo o trânsito de ônibus e de outros veículos.
Mulheres do bairro Pousada da Esperança I lideraram uma manifestação, na manhã de ontem, em reivindicação à pavimentação das ruas do bairro, que foram interditadas por moradores, impedindo o trânsito de ônibus e outros veículos. A comunidade local alega que o pó e a terra vermelha das ruas provocam problemas de saúde nos moradores e tornam insustentável a limpeza das casas e roupas e até mesmo a conservação de alimentos.
Os manifestantes fecharam as ruas com galhos e pedaços de madeira para que os ônibus não transitassem pelo local. Eles afirmam que há dez anos vêm solicitando à Prefeitura a pavimentação das ruas do bairro. No entanto, não obtêm respostas ou soluções para o problema enfrentado pela população. Eles dizem que vão trazer um caminhão-pipa para molhar e assentar a poeira. Se jogar água, vai virar barro isso aqui. Nós estamos exigindo asfalto. Não dá mais para ficar assim, disse a moradora Magali Coutinho.
De acordo com Maria Célia Rodrigues, outra moradora do Pousada da Esperança I, muitas pessoas têm contraído problemas respiratórios em virtude da poeira, como bronquite, sinusite, alergias e falta de ar. Ninguém consegue respirar aqui. Quando os ônibus passam, isso vira uma chuva de terra vermelha. Quando a gente tosse, o peito dói. As crianças ficam doentes. Minha filha está tomando um vidro de remédio por dia por causa disso, alegou.
Outro problema enfrentado diariamente pelas donas-de-casa é a limpeza das casas. Nós limpamos de manhã, à tarde, à noite e está sempre com terra vermelha. As tampas das panelas ficam amareladas, as roupas do varal ficam sujas. As toalhas de banho nós temos que usar uma por dia por causa do pó. O ônibus deixa tudo vermelho, observou Maria Célia.
A higiene e limpeza na feitura dos alimentos é outra preocupação dos moradores do bairro. Às vezes, a gente sente que o arroz que a gente está comendo está cheio e terra. A padaria fica cheia de pó. Como é que nós vamos comer um pãozinho fresquinho vendo tudo aquilo tomado de terra vermelha? Como é que o prefeito ainda fala em saúde pública, questionou Eliton Souza de Santos, um dos poucos homens que acompanharam as mulheres do bairro na manifestação. Não tem condições de passar ônibus e carros aqui, acrescentou.
Esta é a terceira vez que a comunidade do Pousada da Esperança I se reuniu para interditar as ruas do bairro, impedindo o trânsito de veículos. A manifestante Sandra Maria Godoy afirma que, caso não seja tomada nenhuma providência por parte da administração municipal, os moradores devem partir para reivindicações mais diretas. Se ninguém tomar providência quanto ao asfalto do bairro, nós vamos bater na porta da casa do prefeito. Estamos cansadas de promessas não cumpridas. Nós pagamos impostos como todos e estamos solicitando o asfalto há mais de dez anos, afirmou.
A presidente da Associação de Moradores do Pousada da Esperança I, Eva Pereira Brandão, sugeriu que, enquanto a pavimentação não chegue ao bairro, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) promova mudanças no itinerário das linhas que passam pelo local, com o objetivo de amenizar o problema causado pela poeira.
No entanto, as mulheres que lideraram a manifestação deixaram claro que esse não é ponto principal da reivindicação. O que nós queremos é o asfalto, enfatizou Magali Coutinho.