08 de julho de 2026
Geral

Bauruense quer aprender a economizar

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

Com a crise e o aumento de tarifas públicas, a população está mais preocupada com a economia do cotidiano.

No Brasil, tudo teve início com a economia de energia imposta pelo governo. A maioria das pessoas acredita que essa medida já deveria ter sido tomada há tempos, alguns discordam até mesmo nesse momento de crise e se recusam a economizar. O fato é que com a crise argentina, a crise brasileira, ou qualquer outro nome que queiram definir, o momento é crítico e a melhor maneira de continuar vivendo dentro de uma estabilidade, de acordo com economistas, é poupando e esquecendo os supérfluos que, algumas vezes, acabam se tornando imprescindíveis.

Para o representante Augusto Machado Inocêncio, 43 anos, já não há supérfluos e até mesmo o conforto ele está deixando de lado. Eu fiz a minha família entrar no eixo, ou se enquadra ou cai fora, afirmou. Ele, que mora com a esposa e dois filhos, um de 18 anos e outro de 20 anos, adotou uma medida radical: uma lâmpada serve para iluminar dois cômodos, telefone só para receber chamadas, apenas um banho por dia, caminhar é melhor que andar de carro (às vezes, o ônibus pode ser uma alternativa), dispensa nunca precisa ter alimentos demais, apenas o suficiente, o desperdício é abominado, roupas pequenas são lavadas na mão, secadora nem pensar, celular, cartão de crédito e talão de cheques foram abortados. Se meus filhos não estiverem felizes, que vão procurar o caminho deles. Nós estamos passando por uma crise e as pessoas precisam se conscientizar disso. Não é brincadeira não, meu povo, disse.

O filho de Inocêncio, Alfredo Inocêncio, disse que não concorda com o pai. Eu acho que devemos economizar, mas sem ser radicais. Não podemos mudar todos os nossos hábitos, abdicar do conforto, apenas economizar, afirmou. Inocêncio confessou que faz isso para tentar criar uma consciência nos seus filhos e na esposa que, segundo ele, sempre esbanjaram tudo o que tinham. Eu sei que exagero, mas isso é bom. Assim, nós podemos administrar melhor os gastos e eu fico mais tranqüilo. É claro que jamais mandaria um filho meu embora de casa, mas não custa forçar um pouquinho para que eles economizem, finalizou.

O economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) acredita que o ponto de partida é o planejamento dos gastos. O assalariado sabe o quanto ganha e, portanto, é possível fazer um controle, disse. Mas, ele explicou que, normalmente, as pessoas não sabem como fazer esse controle sobre os gastos e são impulsivas sem pesar no orçamento quanto representa cada despesa que tem durante o mês.

Para ajudar quem quer fazer esse controle, Cafeo dá a dica: a primeira coisa é fazer um levantamento detalhado dos chamados custos fixos mensais, ou seja, aqueles que a pessoa não tem como fugir como o aluguel, condomínio, telefone, energia elétrica, enfim todos os gastos fixos. A pessoa deve saber o que ganha e o que gasta. Mapeando isso, a pessoa começa a entender quais são os pesos que existem sobre o seu ganho. Aí então, a pessoa pode classificar as despesas fixas, aquelas que ela não tem como fugir, explicou.

De acordo com Cafeo, a crise energética é um start para se aprender a fazer uma economia. Se as pessoas conseguiram economizar na energia elétrica, por que não fazer o mesmo com o telefone, com a água?, indagou.

Ele explicou que depois dessa avaliação, a pessoa passa por uma mudança de hábito de comportamento. Nesse momento, de acordo com Cafeo, o ideal é elencar o que é considerado como supérfluo e que, ás vezes, acaba sendo pequenas despesas, mas no fundo pesa lá na frente. É importante ver quais são os hábitos de consumo de alimentos, de bebidas, utilização do celular, entre outros. Se depois de tudo isso, a pessoa não obtiver resposta, aí tem que mudar o padrão de vida. Muito provavelmente, essa pessoa estará praticando um perfil de consumo que a renda dele não permite. Pode até ter permitido num momento anterior, mas não atualmente.

O também economista Said Yusuf explicou que o ideal é adquirir produtos substituíveis, sem perder a qualidade, como por exemplo materiais de limpeza, perfumaria, são produtos que podem ser substituídos por marcas mais baratas sem fazer com que caia a qualidade.

Com relação às tarifas públicas, na opinião de Yusuf, são ainda baratas no Brasil em função do benefício que o produto ou serviço proporciona. Não há outra alternativa que não seja a economia da água, combustível, energia. Pelo desperdício existente, as tarifas são baratas. Concordo com medidas drásticas como a do apagão, porque só assim é possível motivar a economia em cima de um produto que, normalmente, já deveria se fazer economia por ser um bem comum, disse.

Yusuf aconselhou que o correntista tenha apenas uma conta em banco, acumulando todos os serviços bancários num só lugar, porque o gasto de manutenção das contas é elevado. No supermercado, o ideal é comprar apenas o necessário, fazendo uma pesquisa anterior na dispensa para ver o que realmente precisa comprar.

Ele explicou, ainda, sobre o uso do cartão de crédito, que, de acordo com ele, o brasileiro não sabe usar. Não se deve utilizar o rotativo do cartão de crédito e sim o prazo de 30 ou 35 dias que o cartão proporciona. O cartão deve ser usado com mais freqüência, mesmo em contas de baixo valor, disse.