10 de julho de 2026
Geral

À SAUDOSA PATRÍCIA, A MOTOTAXISTA

José Antonio Ducatti
| Tempo de leitura: 4 min

Estrela. Patrícia Estrela. Viveu com tamanha intensidade a vida, que era como se soubesse de sua brevidade. Queria, como se diz, abraçar o mundo com as mãos. Foi aí que entendemos tanta inquietação, tanta animação. Amou e foi amada, não era troca, era espontaneidade. Coisas que só uma família com princípios morais, na qual foi criada, se pode ter e aprender. Dos primos fez irmãos, deixou-nos caminhos e lições.

Viveu com caráter e dignidade, sem deixar dúvidas para quem a conhecia. Estrela, só o teu brilho nos fazia sonhar. Sonhar teus sonhos de alegria, de liberdade, às vezes exagerada fantasia. A liberdade que começou nos trens, nas viagens do seu quase eterno universo criança. Pirajuí, Pirajuí, a próxima estação.

Continuaste a sonhar depois com sua motocicleta alada, e terminaste na calada da estrela cadente que a levou, rápida como sua passagem por aqui, mas com luminosidade, que só as estrelas cadentes possuem. Olhando o sol, veremos sua amizade clara, serena, sem máculas. E em cada ponto luminoso no céu, estará pronta a nos iluminar.

Patrícia, apesar de tantos sonhos, mergulhava em cada trabalho novo como se tivesse achado ali o complemento de sua vida, durante muito ou pouco tempo, em que a ele se dedicava. Apesar de tantos anos como bancária, a monotonia não era sua amiga, nem a frieza da capital; era menina simples do interior, de calor, calor humano. Queria mais. Foi fotografar a vida, queria imortalizar momentos por saber que esses também não são eternos. Dava uma lição em cada coisa que se empreendia, sem se abater pela derrota jamais. Até no churrasco delicioso, picanha temperada com irreverência e com alegria. Na música eclética, tudo dançava, tudo cantava, tudo sorria. Esportes, como gostava! Cortava no vôlei toda a tristeza, só alegria!

A você, André, que teve o brilho desta estrela durante muitos anos, conforte-se; estrelas não têm dono, brilho apenas. E certamente continuará a nos iluminar. E aquela estrela nova no céu, vamos chamá-la: Estrela, Patrícia Estrela. Quando o tempo começar a esquentar e a primavera chegar, ela brotará em cada flor e estará sempre viva em nossos corações... Não é adeus, mas apenas um até breve. Patrícia, um dia o Senhor me inspirou para te escrever e eu não pude deixar de externar o que Ele me fez sentir.

Naquele dia te disse que para tudo havia um tempo determinado por Deus, como diz em Eclesiastes e, lembro-me de te dizer que o sol brilha pela determinação de Deus e que haveria dias em que o tempo estaria nublado, que as estrelas brilhavam, mas que muitas vezes por determinação Dele, elas desapareciam; e assim fui escrevendo como Ele me inspirou. E você, nossa menina, trouxe consigo todos estes anos dentro de sua carteira esta mensagem, que eu recebi através de outras pessoas que você tinha amizade; e você não sabia que tudo isso ia te servir nos últimos momentos que passaste como um pássaro preso em uma gaiola, naquele instante de angústia, amargura, desespero, dor. Sei que elevaste o teu pensamento ao Senhor e clamaste como o salmista Davi, que na hora de sua angústia, o Senhor sempre esteve presente.

Você sofreu muito, mas o Senhor estava contigo. Falo isso porque tiraram a sua vida de forma brutal e não querendo deixar rastros, pois onde foste encontrada era apenas para achar cinzas; todavia as aves de rapina não conseguiram. Deus estava ali e nos deu a vitória. Se queriam te incriminar, que você havia fugido, o castelo das aves de rapina caiu.

E agora, Patrícia, o que nos resta é esperarmos a justiça do homem para este infortúnio. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: não tenho neles contentamento... (Eclesiastes-cap. 12).

Agradecemos primeiramente a Deus por nos ajudar a suportar tanta dor, aos amigos, aos mototaxistas, à comunidade em geral que nos auxiliou e nos amparou nos momentos tão difíceis, nas buscas e principalmente nas orações.

Um agradecimento em especial à equipe do dr. J. J. Cardia pelo esforço que desempenhou para o esclarecimento do caso. E, finalmente, esperamos justiça. (José Antonio Ducatti - tio da Patrícia Corrêa de Lima - RG: 12.328.513)