08 de julho de 2026
Geral

Impasse no transporte vai à Prefeitura

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Reunião de ontem não teve avanços e o Sindtran recorreu ao prefeito. Se o impasse continuar poderá haver greve.

Após ter abandonado a reunião realizada ontem, na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, agendou uma reunião com o prefeito Nilson Costa, para hoje, às 10h30. Segundo Silva, a decisão de acionar o Poder Executivo se deu em razão da continuidade do impasse nas discussões sobre o acordo coletivo dos trabalhadores e das alterações que podem vir a ser feitas no sistema de transporte coletivo de Bauru.

De acordo com Silva, há cerca de três anos o sindicato vem solicitando que a Emdurb participe das discussões em torno dos acordos coletivos de trabalho da categoria, o que ainda não estaria ocorrendo. A diretoria da Emdurb diz que não tem nada a ver com a relação capital/trabalho. Nós entendemos isso, porém, trata-se de uma das principais envolvidas na situação por ser a gerenciadora do sistema de transporte coletivo da cidade. No entendimento do sindicato, é difícil aceitar que alguém gerencie alguma coisa e não possa participar de discussões que envolvem os trabalhadores desse sistema. Então, em razão da intransigência das empresas e da incompetência da Emdurb em definir a situação, eu me retirei da reunião de hoje (ontem) e procurei o Poder Executivo para nos ajudar, diz o presidente do Sindtran.

Silva afirma que estava otimista após as duas últimas reuniões que foram realizadas na Emdurb, na semana passada, das quais também participaram representantes das operadoras do sistema de transporte coletivo - TUA, Kuba e Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) - e do Conselho de Usuários. Mas a falta de avanços durante a reunião de ontem teria causado indignação ao sindicalista. Diante de mais um impasse, Silva marcou uma reunião com o Prefeito Municipal. Como a Emdurb não está conseguindo resolver o impasse, nós recorremos ao prefeito. A Emdurb só está preocupada em diminuir o déficit da Câmara de Compensação Tarifária com as empresas e não está se importando com os trabalhadores. Queremos alguma medida que seja aplicada de imediato para que as operadoras possam atender às nossas reivindicações, diz.

De acordo com Silva, ontem o sindicato teria deixado claro, durante a reunião na Emdurb, que não é possível flexibilizar mais nada em relação à última proposta apresentada pela categoria - que inclui, além dos reajustes salariais, plano de saúde, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e tíquete alimentação por parte da TUA e da Kuba, que não oferecem o benefício - e que, se não houver uma resposta oficial das operadoras em relação ao acordo coletivo até o dia 5 de agosto, a partir do dia 6 as manifestações dos trabalhadores serão intensificadas. Na estratégia do Sindtran estão a ampliação das paralisações, catraca livre e, até mesmo, uma greve. Se nada for definido até o dia 5 de agosto, já no dia seguinte iremos intensificar a mobilização dos trabalhadores e poderemos, inclusive, deflagrar uma greve, obedecendo a legislação do setor. Se o caso for a dissídio, já está assegurada à categoria as últimas propostas apresentadas pelas empresas, que são 7% de reposição salarial aos funcionários da TUA e da Kuba e, para os da ECCB, 5% mais a manutenção do tíquete alimentação no valor de R$ 80,00, afirma Silva.

Emdurb

O diretor de transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, diz que a relação capital/trabalho pertence às empresas que operam no sistema de transporte coletivo da cidade e aos seus funcionários. Por outro lado, ressalta que a empresa tem o maior interesse em ver resolvido o impasse das negociações sobre o acordo coletivo da categoria e que a sua maior preocupação seria em relação ao bem-estar dos usuários do sistema.

A Emdurb tem participação na questão capital/trabalho por ser a gerenciadora do sistema de transporte e responsável por fixar parâmetros para remuneração. Porém, essa participação é distante. Os detalhes pertencem às empresas e aos funcionários. Por outro lado, hoje (ontem) fizemos a terceira reunião com o objetivo de que todo esse impasse chegasse ao fim. Nós nos propusemos a analisar algumas situações e, até mesmo, a fazer uma racionalização em trechos de algumas linhas de ônibus para que isso pudesse facilitar as negociações entre as empresas e os trabalhadores. Porém, as operadoras do sistema se mostraram contra algumas coisas e a principal preocupação da Emdurb são os usuários do transporte coletivo. Não podemos, por exemplo, assumir custos que pressionem o aumento da tarifa, que é uma das mais baixas do País, afirma.

De acordo com Fantini Júnior, as discussões sobre esse assunto são delicadas e devem ser cercadas de cuidado para não resultarem em aumentos da tarifa nem em mudanças operacionais que possam prejudicar os usuários do sistema. É importante que o sindicato tenha consciência de que o País todo está passando por uma crise muito grande, com milhões de desempregados. É complicado para a Emdurb e para as empresas assumir, por exemplo, gastos com o fornecimento de cesta básica, tíquete alimentação e de um plano de saúde aos trabalhadores do setor. Além de onerar muito os custos, são benefícios que a maioria da população não possui atualmente. Então, estamos preocupados em viabilizar uma negociação entre as empresas e o sindicato, mas sem fazer com que os usuários do sistema paguem por coisas que eles mesmos não têm. Na minha avaliação, as reuniões estavam sendo bastante produtivas, mas requerem tempo. O sindicato está querendo soluções imediatas e isso está dificultando a situação, analisa o diretor de transportes da Emdurb.

Em relação às possíveis alterações no sistema de transporte, Fantini Júnior diz que existe um estudo pronto sobre isso, mas que só pode ser implantado de uma só vez. Temos um estudo pronto sobre alterações que podem ser feitas no transporte para melhorar o sistema e beneficiar os usuários. Porém, esse plano não pode ser implantado por partes, e sim, em sua totalidade, pois prevê a quebra de algumas linhas. Enquanto algumas pendências não forem definidas e não houver uma licitação, teremos que esperar para colocar o estudo em prática, observa.