08 de julho de 2026
Geral

China-EUA: relações degradadas

(*) Shixiong Ni
| Tempo de leitura: 3 min

Uma olhada na história recente mostra que os ciclos de crise e solução fazem parte do relacionamento entre os Estados Unidos e a China. As últimas décadas caracterizaram-se pela existência de consideráveis vicissitudes, através das quais as relações sino-norte-americanas demonstraram fragilidade, embora duráveis. Cada crise foi seguida por uma notória melhoria. As crises, de fato, converteram-se numa nova fórmula: perigo, seguido de oportunidade.

O progresso e os problemas são duas caras de uma mesma moeda. Os seis presidentes norte-americanos, de Nixon a Clinton, ajudaram a estabelecer um consenso bipartidário para preservar alguns vínculos estáveis entre as duas nações. Eles mantiveram uma política de uma única China. Penso que este é o legado de nossa mútua relação que o governo de Bush recebe.

Há dois anos costumávamos resumir as diferenças entre Estados Unidos e China nos seguintes aspectos: o roubo de tecnologia nuclear, de mísseis (TMD), problemas do comércio, Tibete, Taiwan e a questão dos direitos humanos relacionada com os acontecimentos da praça da Paz Celestial. Atualmente, as preocupações bilaterais resumem-se a três aspectos. Primeiro, qual deveria ser nossa meta estratégica? Deveríamos ser competidores, oponentes ou adversários? Depois da visita do presidente Jiang Zemin aos Estados Unidos, em 1997, e da viagem do presidente Bill Clinton à China, no ano seguinte, os dois líderes decidiram estabelecer uma sociedade estratégica no século XXI.

Atualmente, é provável uma mudança. A boa notícia é que a China não é vista como um inimigo. A notícia não tão boa é que existe uma tendência para limitar nossa meta estratégica de associação à competição ou, inclusive, menos. Isto preocupa Pequim. A segunda dúvida refere-se à política estratégica. Apesar de certos elementos de ambigüidade, uma política de compromisso dominou as relações Estados Unidos-China durante quase oito anos. Agora, se converterá num compromisso limitado, num compromisso obrigatório, ou mesmo compulsório, ou em algo novo?

O novo governo norte-americano mantém silêncio sobre esta questão. Quanto à segurança, a atitude do novo governo dos Estados Unidos com relação ao sistema de defesa antimísseis (NMD) e o TMD é uma preocupação importante para Pequim. Se os Estados Unidos levarem adiante a defesa antimíssil em estreita colaboração com o Japão e se, em resposta a isso, a China aproximar-se mais da Rússia, estará consumada uma situação perigosa.

A questão maior que o governo norte-americano enfrenta, provavelmente, é o conflito sino-norte-americano sobre Taiwan. Os Estados Unidos enfatizam que continuarão cumprindo suas obrigações quanto a atender as necessidades de Taiwan, de acordo com a Lei de Relações com Taiwan (TRA). Afirmou-se recentemente que, se Pequim continuar deslocando mísseis tendo Taiwan como alvo, isso influirá na política de venda de armas de Washington. Pensamos que isso não é justo. Por outro lado, esta questão deveria depender tanto do comportamento norte-americano quanto do comportamento chinês. Se os Estados Unidos reduzem suas vendas de armas a Taiwan, Pequim agirá de forma recíproca.

China e Estados Unidos deveriam pesar suas relações estrategicamente, a partir de uma perspectiva ampla e não de um ponto de vista de simplesmente resolver os problemas. Deveriam buscar um terreno comum, mesmo mantendo suas diferenças, em parte através do fortalecimento e melhoria dos mecanismos do diálogo mútuo. A consideração final é que China e Estados Unidos não podem e não deveriam ser inimigos. Devemos evitar o confronto. Enquanto nossos países promoverem o consenso, continuarem seus contatos, incrementarem a confiança, reduzirem as dificuldades, evitarem o confronto e fortalecerem a cooperação, tanto China quanto Estados Unidos estarão em condições de dar novas contribuições à paz, à estabilidade e à prosperidade do mundo (IPS)

(*) Shixiong Ni é catedrático na Universidade Fudan, da China.