Sou bauruense. Nasci nesta terra há 50 anos. Muitas coisas me fizeram e outras me fazem feliz por ser bauruense. E um dos maiores orgulhos de Bauru é o Jornal da Cidade. Bauru transformou-se nesses últimos 30 anos após o JC. E eu o acompanho durante esses quase 34 anos de fundação. Vários jornalistas que hoje compõem o quadro nacional e internacional passaram pelo JC. Tudo nesse jornal é feito com absoluto profissionalismo. Eu acho que vi todas as edições desse jornal. Mas nem sempre nossos problemas do cotidiano nos permitem ler tudo, mas duas colunas desse jornal por menor que fosse meu tempo eu sempre achava um jeitinho de saboreá-las. Em Confiança, do amigo Léo, e Alta Tensão, que hoje devido ao cargo público de seu titular, sr. Nilson Costa, atual prefeito, deixou de ser veiculada.
Alta Tensão marcou nossas vidas. Pela sua imparcialidade, pelo seu dinamismo e honestidade que sempre marcaram a vida desse mineiro, escorpiano, corintiano e simpática figura do jornalista Nilson Costa, que era ajudado na dúvida pelo também mineiro primo Epaminondas, que às vezes recorria ao mais sábio de todos, Tio Expedito. Nilson Costa, em sua coluna, tinha uma conduta bem à direita, ora aproveitando boas fases de Jânio Quadros, ora Maluf, Laudo Natel, Abreu Sodré e outros expoentes que passaram pela extinta Arena. Políticos do MDB, o popular manda-brasa da época, sofriam com Nilson e sua turma de conselheiros. Mas tudo dentro do bom humor, da sinceridade e, principalmente, de forma honesta.
Nilson vinha de uma cassação de mandato de deputado estadual, sem fundamento na minha opinião. Recuperados os direitos, tentou uma candidatura a vereador, bem votado mas não chegou e a prefeito quando teve uma votação fraca. Entrou depois surpreendentemente na chapa de Salvador Afonso, o Nenê, como vice e foram fragorosamente derrotados. Coisas da política. Foi convidado depois a compor como vice na chapa de Izzo Filho, fizeram uma campanha milionária, ganharam com folgas e daí em diante são fatos recentes e todos sabem o rumo que a cidade tomou. Acabou Nilson Costa entrando para alegria e esperança do povo de Bauru, que foi humilhado pelos acontecimentos em nível nacional.
Não sei se Bauru perdeu ou ganhou. Em honestidade não temos dúvidas que o prefeito de hoje é unanimidade. Mas como prefeito é uma lástima. Acho que é o pior da história da cidade. A cidade está parada. Obras importantíssimas como a passagem da Mara Lúcia, da Waldemar Gomes Ferreira, segundo sua equipe não são obras prioritárias. A Nuno de Assis, sr. prefeito, com meia pista de forma precária, é verdade, dá escoamento, as outras não. Pegue o mapa da cidade e observe quanto os cidadãos bauruenses estão andando a mais por causa do descaso do sr. prefeito e sua equipe. Pra gente priorizar é preciso se colocar no lugar do cidadão. Enfim, estamos numa situação caótica à vista de todos.
Porém, o pior de tudo é que o chefe do Executivo e sua equipe, através de sua Assessoria de Imprensa, rebatem todas as críticas que recebem com ofensas, com acusações banais e pra quem ler sem saber o que na verdade está acontecendo, imagina uma cidade às mil maravilhas. As reclamações podem até ter cunho político mas são justíssimas. Outro dia um leitor reclamou do absurdo que a Prefeitura fez impedindo a passagem pela Nações Unidas na altura do Teatro Municipal, para uma comemoração qualquer como se as laterais da Avenida fossem ruas largas e de fácil escoamento; quer dizer, favorecem uns 1,5 mil festeiros e param a vida de mais de 50 mil pessoas que transitam pelo local, uma das únicas avenidas de Bauru com leito carroçável transitável.
Srs. tecnocratas: Bauru tem o Anfiteatro Vitória-Régia e o Sambódromo, além de inúmeros estádios distritais (tudo isso construído em outras administrações) que são lugares especiais para eventos e festas e todos são propriedade da Prefeitura. Na Nações, por favor, nunca mais. Outra coisa que desagradou a todos foram estes radares de velocidade, verdadeiras armadilhas, uma roubalheira de dar gosto. Muita gente em Bauru está deixando de renovar a documentação dos veículos por absoluta falta de verba para tanta sangria. Enfim, o prefeito que foi um excelente colunista político de inabalável lisura hoje atrelou-se a pessoas que sempre ficaram mais à esquerda, e estas pessoas não admitem críticas, por mais construtivas que sejam.
Para finalizar, irei fazer uma sugestão ao sr. prefeito: coloque uma pessoa neutra, sem atrelamentos políticos. Coloque-a na rua, pegue a opinião popular e analise, isento do seu cargo, com a sua personalidade de jornalista e homem íntegro. Ainda há tempo de pelo menos maquiar esse vexame que aí está. Em tempo: fazer pelo social, sr. alcaide, é obrigação moral e cristã de todos nós, filhos de Deus. Quando um detentor de cargo público começa apelar para o social é a prova cabal que a coisa vai indo mal. E ele sabe. (Vítor Rodrigues Ruiz - RG: 11.225.892)