Transtornos psicóticos ligados ao estresse vem aumentando a cada ano
Há várias atitudes que podem ajudar a conservar a saúde mental. Quando você reduz seu próprio nível de estresse, deixa os outros também mais à vontade. Se for cooperativo e sociável, você estimulará o espírito de cooperação nos outros. A seguir, algumas sugestões.
Adote uma abordagem realista: se houver um trabalho a ser feito, faça-o sem irritar outras pessoas. Aceite desafios. Assuma o comando da situação. Estabeleça objetivos. Mantenha-os em perspectiva e encare-os como parte de um propósito maior. Faça concessões aos outros, que podem não concordar com você em todos os pontos. Lembre-se, eles também têm seus direitos. Obtenha cooperação, ao invés de confrontação. Sugira uma reunião de família ou com a equipe para encorajar a cooperação e a solidariedade.
Aprenda a reconhecer e expressar seus sentimentos: procure não rotular sentimentos - sejam seus ou de outros - de bons ou maus. É da natureza humana vivenciar uma ampla variedade de sentimentos. Em geral é saudável expressar os sentimentos sempre que possível, de modo apropriado, pois, se eles forem reprimidos, podem resultar em reações inadequadas. Por exemplo, se você se sente menosprezado ou ignorado e reprime seus sentimentos em relação a isso, poderá, mais tarde, descarregar a raiva em outra pessoa ou interiorizá-la e tornar-se deprimido. Procure descobrir por que sente raiva e expresse seus sentimentos da forma mais tranqüila possível. Ou discuta seus problemas com uma pessoa sensata e confiável - um bom amigo, um religioso, um médico, um parente ou um conselheiro profissional. Esta abordagem poderá ajudá-lo a pensar de forma mais clara, a lidar adequadamente com seus sentimentos e a compreender melhor os próprios sentimentos e os dos outros.
Não fique remoendo os problemas: freqüentemente, uma simples mudança de ritmo ou o redirecionamento das energias é uma forma construtiva de escapar da tensão. Ao invés de ficar remoendo os problemas, tome uma atitude - não importa quão pequena - positiva e útil em relação à situação. Procure não se preocupar com coisas que não podem ser mudadas.
Dê um passo de cada vez: para escapar à sensação de estar sem saída, avalie seu problema, pense em cada passo necessário para resolvê-lo e trabalhe no sentido de alcançar uma solução. Esta abordagem de um passo de cada vez lhe permitirá ter orgulho de sua capacidade de lidar com a situação. Desviando suas tensões e a raiva para metas úteis e atingíveis, você se surpreenderá com o grau de controle que pode exercer em sua própria vida.
Com o que se preocupar
Mesmo com o maior esforço, você terá períodos de frustração e infelicidade. Em geral, com o tempo, você será capaz de superar seu sofrimento. Porém, você deve aprender a reconhecer quando seus problemas - ou os de pessoas queridas - são muito grandes para serem enfrentados sozinhos. Você pode ajudar a si próprio, à sua família e a seus amigos sabendo quando procurar ajuda profissional. Alguns dos sinais de alerta incluem:
Ansiedade prolongada excessiva Trata-se de uma ansiedade desproporcional por qualquer razão ou causa identificável. Obviamente, todos temos problemas que podem nos tornar tensos e ansiosos. Porém, uma ansiedade profunda e persistente - um estado quase constante de tensão e medo que se sucede a uma causa após outra - é sinal de que a pessoa precisa de ajuda. A ansiedade não-aliviada não causa apenas angústia, mas pode produzir também problemas físicos.
Depressão prolongada ou graveA depressão clínica - que é muito diferente dos sentimentos normais de tristeza ou de baixo astral - afeta acentuadamente o pensamento, os sentimentos e o comportamento. Sentimentos persistentes de inadequação, tristeza, desamparo, desesperança, pessimismo excessivo e perda da autoconfiança são alguns dos sintomas de depressão. Alterações dos padrões de comportamento são um sinal característico de que a depressão pode estar escapando ao controle e de que se deve procurar ajuda.
Pessoas deprimidas freqüentemente se afastam dos amigos, de seus entes queridos e de ocupações e passatempos habituais, que anteriormente lhes eram agradáveis. Seus hábitos alimentares e de sono se modificam. Alguns apresentam perda de apetite e insônia, ou, caracteristicamente, um sono mais curto; outros procuram alívio em alimentação e sono excessivos.
Outros sintomas da depressão incluem falta de energia, cansaço prolongado, redução do desempenho na escola, no trabalho ou em casa, e perda do interesse sexual. Indivíduos deprimidos são os que têm maior probabilidade de considerar o suicídio como uma solução, apesar de que pessoas com outros distúrbios mentais e emocionais também podem ter idéias suicidas. Durante períodos de crise, as pessoas devem procurar companhia, evitando se isolar.
Alterações bruscas de humor e comportamentoEstas alterações não incluem atitudes deliberadas com a finalidade de adaptação à situação. Referimo-nos a alterações de humor e comportamento que refletem profundas alterações nos hábitos normais ou no modo de pensar da pessoa. Por exemplo, o bom aluno cujas notas diminuam abruptamente ou a pessoa controlada, que repentinamente comece a gastar grandes somas de dinheiro, muito provavelmente estão apresentando problemas emocionais. Alterações freqüentes ou regulares de humor, altos e baixos, quer sejam de aparecimento gradual ou rápido, podem ser sinais de um distúrbio do humor.
Sintomas físicos que podem estar relacionados com a tensão
Alguns tipos de mal-estar e queixas físicas - dores de cabeça (incluindo enxaquecas), náuseas ou dores inexplicadas - podem não ter nenhuma causa identificável. Estes sintomas são reais. Porém, apenas um médico está qualificado para determinar se são causados ou não por uma doença orgânica. Portanto, qualquer mal-estar persistente deve ser avaliado por um médico.
Se qualquer um dos sinais de alerta acima descritos for grave ou persistente, seja ou não causado por uma doença orgânica, pode ser necessário o auxílio profissional.
As doenças mentais podem ser tratadas
Graças à pesquisa, atualmente há muitos tratamentos eficazes para as doenças mentais. Medicamentos e diferentes tipos de terapias psicossociais têm sido usados isolados ou associados. O tratamento de escolha para cada pessoa depende do diagnóstico e da gravidade da doença. Para distúrbios graves como a esquizofrenia, a depressão, o distúrbio bipolar e alguns distúrbios de ansiedade, o médico geralmente prescreve medicamentos junto com alguma forma de terapia psicossocial. Esta pode ser psicoterapia individual, terapia de grupo e familiar, terapia comportamental, aconselhamento conjugal, terapia recreacional, terapia ocupacional, hipnoterapia, modificação comportamental, arteterapia ou psicodrama. Em outros distúrbios, a terapia psicossocial pode ser o único tratamento necessário para uma boa recuperação.
Às vezes, a eletroconvulsoterapia, freqüentemente chamada de ECT ou de eletrochoque, pode salvar a vida de indivíduos gravemente deprimidos e com idéias de suicídio, alguns dos quais podem não responder a outros tratamentos.