08 de julho de 2026
Geral

1% da população é atendida no Naps

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O Núcleo de Apoio Psico-Social, órgão do município, atende dependentes alcoólicos e de ouros tipos de drogas.

Os programas destinados a dependentes químicos do Núcleo de Apoio Psico-Social (Naps), da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), atendem atualmente 3.122 pessoas, cerca 1% da população de Bauru. Ainda assim, muitos dependentes não são atendidos. De acordo com Cláudio M., diretor-geral do escritório de serviço local dos Alcoólicos Anônimos (AA), 18% da população brasileira possuem dependências químicas.

Atualmente, o Naps conta com cinco médicos psiquiatras que atendem os pacientes que são encaminhados por postos de saúde e pronto-socorros, assim como aqueles de demanda espontânea.

De acordo com Sônia Regina Fraga Lopes, chefe de seção do Naps, as pessoas passam por um pronto-atendimento com médicos e por um serviço de desintoxicação. Quando necessário, são receitados medicamentos.

Em seguida, os dependentes são inseridos em grupos que realizam reuniões semanais, cujo objetivo é orientar e sensibilizar tanto os pacientes como seus familiares sobre o que é o alcoolismo, como lidar com o problemas, quais são as causas dele e como mudar seus comportamentos em relação a isso. As reuniões contam também com trocas de experiências entre os participantes, que expõem seus problemas, como parte do trabalho em grupo.

Atualmente, estão sendo atendidas 3.122 pessoas pelo Naps. No entanto, o número de pacientes inscritos este ano, tanto dependentes alcoólicos como cruzados (álcool e outras drogas), foi de 165.

Sônia conta que poucos participantes abandonam as terapias de grupo. Aqueles que abandonam por alguns meses, costumam retornar quando apresentam recaídas. O número das pessoas que entram é sempre maior do que o das pessoas que abandonam, enfatizou a chefe de seção.

O Naps terminou o ano passado terminou com 2.979 pessoas atendidas. O número de inscritos, em 2000, foi de 424 alcoólicos e 23 dependentes cruzados, sendo que no mesmo período de 2001, ou seja, de janeiro a junho, foram inscritas 244 pessoas - quantidade superior à registrada este ano. Sônia afirma que a redução deve-se não só à diminuição na procura, mas à quantidade de médicos que estavam atendendo no Naps no final de 2000 e início de 2001. Nós estávamos sem dois médicos. O atendimento foi reduzido porque um médico foi exonerado e um estava de licença médica por seis meses, afirmou.

Apesar disso, os funcionários do Naps acreditam que a quantidade de pessoas atendidas atualmente é grande. É um número até grande, mas dá para atender bem, porque há seleção, expôs Sônia.

Além disso, os pacientes que alcançam nove meses com abstinência passam a um grupo especial, em que os trabalhos são voltados à reinserção no meio social, sem a dependência alcoólica. Ele é praticamente liberado, mas quando tem seqüelas, permanece tendo atendimento médico, explicou a chefe de seção do Naps.

A duração do tratamento varia bastante de paciente para paciente, de acordo com Sônia. Alguns param de beber logo após a primeira reunião. Outros estão há anos e sempre bebem. Depende das características de cada um, disse.

Outros serviços

O Naps também tem programas para atendimentos a psicóticos - pacientes que apresentam transtornos emocionais, rupturas com a realidade, sentimento de perseguição, delírios e alucinações auditivas ou visuais.

Além disso, conta com atendimento infantil para crianças de 0 a 12 anos e para adolescentes de 12 a 19 anos, que apresentam conflitos psico-sociais como neuroses, tentativa de suicídio, depressão, consumo de drogas, dificuldades escolares, psicoses e esquizofrenias. O atendimento é interdisciplinar, com programas de psicoterapia, fonoterapia, psicoterapia escolar e oficinas terapêuticas.

No último trimestre, o Naps atendeu 646 crianças e adolescentes em seus programas, de acordo com Marilza Ramos, psicóloga responsável pelo programa infantil e para adolescentes da Divisão de Saúde Mental do Naps.

AA

O grupo dos Alcoólicos Anônimos do Centro-Oeste Paulista, com sede em Jaú, conta com 49 grupos de apoio na região.

De acordo com o diretor Cláudio M., apenas 1% das pessoas que procuram ajuda permanecem realizando o tratamento.

Em Bauru, os interessados podem procurar tratamento na rua Bandeirantes, 12-43.