09 de julho de 2026
Geral

BISTURI NÃO FAZ MILAGRE!

Hélio de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Colocaram na berlinda a miss Brasil 2001 - Juliana Borges, que se preparou para o concurso com 19 cirurgias plásticas. As opiniões divergem, parecendo haver bem mais reprovação que apoio ao mérito de sua vitória. É concludente a valia dos dotes naturais, mas o recurso que ela adotou é lícito por um fator precípuo: o concurso é de beleza plástica e não de perfeição nata! Tanto assim, que é permitido às candidatas dispor de toda sorte de artifícios como tingir e adornar os cabelos, pintar os cílios ao redor dos olhos e os lábios, camuflar manchas e sardas com espessa maquilagem por toda face. Releve-se que todo esse recurso ornamental dá aparência mais falsa que uma correção plástica, visto que encobre os defeitos temporariamente, não os eliminando de forma duradoura, senão definitiva. Juliana removeu pequenas pintas no corpo, corrigiu uma orelha de abano, aplicou silicone nos seios (tão em voga) e fez lipoaspiração com pequenas absorções distintas, cada qual considerada uma intervenção cirúrgica. Daí a contagem de 19 operações, incluindo as pintas. O relevante porém, não é quanto ela colocou ou tirou daqui ou dali e sim o jeito que ficou!

Cognominaram-na Miss Bisturi. O epíteto é fruto de sua ingenuidade por ter espontaneamente revelado todo expediente operatório que engendrara visando o concurso. Apesar desse episódio ter dado ao cirurgião plástico promocional fama de Fada Madrinha, seu bisturi não é nenhuma varinha de condão para fazer milagre. Assim, Juliana não se transformou numa beldade devido à monta de cirurgias a que se submeteu. Quem garante que ela não venceria sem as operações? Mas de qualquer forma tal reforma não a favoreceu perante as demais candidatas também bonitas? Pode ser, mas será que dentre todas as concorrentes nenhuma tenha feito alguma plástica e esteja caladinha? E depois, se todas as participantes tivessem corrigido suas pequenas imperfeições físicas, a disputa teria sido apenas mais acirrada. Por derradeiro, inconteste mesmo, é que se a cirurgia plástica fabricasse beleza, só havia mulher bonita! (Hélio de Souza - OAB 19.779)