08 de julho de 2026
Geral

A DIFÍCIL VIDA DE UM DEFICIENTE VISUAL EM BAURU

Getúlio Kerche de Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Eu, Getúlio Kerche de Camargo, deficiente visual total, ou seja, sou cego desde a infância. Resido na rua Floresta quarteirão 8, onde tenho imóveis há mais de 40 anos. Tendo feito todos os cursos para deficientes visuais em São Paulo, não dependo financeiramente de ninguém, pois sempre trabalhei como vendedor e a renda que tenho é suficiente para me sustentar e até para ajudar os amigos. Pago o IPTU de todos os meus imóveis de Bauru e de São Paulo em dia, e, portanto, acredito ter o direito de cobrar do prefeito de Bauru a solução para os buracos nas calçadas e ruas da minha cidade. Hoje, é impossível para um deficiente visual total ir à padaria e ao mercado sozinho, pois a cada dia novos buracos, postinhos, lixeiras, placas aparecem na frente, e então tenho que chamar um mototáxi até para ir à padaria comprar pão. Em compensação, pelo menos uma vez por mês vou sozinho, a negócios, para São Paulo, onde ando sem cair em buracos ou trombar em obstáculos que não existiam no mês passado nas calçadas. Pergunto ao senhor prefeito de Bauru quando foi a última vez que ele andou pelas calçadas da rua Floresta e quando foi a última vez que os fiscais multaram os donos das calçadas esburacadas de Bauru, pois até para quem enxerga, segundo leio nos jornais, está difícil para andar e dirigir, imagine, senhor prefeito, que se preocupa com os deficientes, conforme suas palavras na imprensa, o que acontece com um deficiente visual. Senhor prefeito, dê uma saída da Prefeitura e venha até a minha casa tomar um café, mas venha a pé pelo menos desde o quarteirão 1 da rua Floresta, para sentir a minha dificuldade de ir à padaria, ao mercado, o que não acontecia antes. Alguma coisa está errada, senhor prefeito, e é tempo de corrigir!

Votei no senhor e estou arrependido! (Getúlio Kerche de Camargo - RG 5.906.326-SP)