Bauru, querida, bom dia! Nasceste para a vida da nacionalidade há 105 anos, explicitante em 1896, quando aconteceu a última demão no berço esplêndido que vinham preparando os teus corajosos pioneiros para uma cidade como tu destinada a esplendoroso futuro, como o que está ocorrendo. E sabes que pouco tempo depois, em 1936, já nos ficávamos conhecendo, pois o destino dos homens e das coisas se incumbiu de nos surpreender, colocando-nos, um dia, frente a frente? Olhamo-nos, enamoramo-nos e, imediatamente, nos casamos, civicamente, para todo o sempre, até que a morte nos separe... E é assim, então, que vimos nos acompanhando, lado a lado, de mãos dadas, tudo vendo teu crescimento como cidade alvissareira e, nós, como jornalista admirador de teus predicados. São 65 anos de veneração e prazer. Nós também ficamos mais velhos e quase não sentimos - diríamos, modificando a valsinha das bodas de ouro...
Conhecemo-nos com tu ainda pequena, pequenina mesmo, quando, inclusive, vestias roupas infantis. Tinhas, na praça Ruy Barbosa, uma igrejinha cujo santo silêncio era quebrado somente pela alegre revoada dos pássaros que em sua cúpula tinham seus calientes ninhos. À distância, no final da rua João Pessoa, hoje 1º de Agosto, um tristonho cemitério abrigando os corpos dos pioneiros. Ruas, avenidas e praças estreitas e curtas, tendo como rústicas passarelas grossas camadas de alvas areias, paisagem agreste que acabou inspirando o poeta a te cognominar de Capital da Terra Branca. Ostentavas apenas casas e prédios térreos. Nenhum arranhacéu cortando os sopros rudes de seus provocantes ventos. Tinhas, porém, o ruído estridente dos trens da Noroeste e da Sorocabana, que todas as manhãs te acordavam com o sibilar irritante de seus apitos. Só mais tarde te viria os da Paulista, completando os espaços da tua, então, diminuta estação de locomotivas. Estradas de rodagem, poeirentas e estreitas, eram os caminhos de terra que levavam a teus vizinhos de janela (Agudos, Arealva, Iacanga, Pederneiras, Pirajuí e Piratininga). E o tempo que ninguém segura foi passando... Nós, porém, te vimos seguindo pessoalmente com a segurança de esposo fiel, e, assim, pudemos testemunhar bem de perto o teu desenvolvimento. Adulta, tuas artérias ganharam a roupagem austera do asfalto negro, enquanto as praças eram iluminadas, ajardinadas e passavam a enfeitar tuas noites, atraindo tuas famílias, bem como casais de namorados para footings memoráveis através das suas alamedas. Muitos e muitos casamentos se estimularam sob a folhagem verde do arvoredo rústico. Saudade, quanta saudade, não é mesmo? A moda da verticalidade começava aos poucos a modificar o teu cenário e os arranhacéus passavam, valentemente, a cutucar as tuas pacíficas núvens. Atraístes, vagarosamente, algumas indústrias de peso, entre elas a Clayton, a Matarazzo e a Sanbra, as duas primeiras hoje desaparecidas. O teu comércio se disseminava em todas as direções, passando a figurar entre os maiores e mais pujantes do País. Tuas estradas rodoviárias se modernizavam, eram contempladas com pavimentação asfáltica e passavam a oferecer mais segurança. Tua juventude, que só possuía escolas primárias, foi sendo aureolada com secundárias e, posteriormente, pôde começar a subir também as nobres escadarias das superiores, das quais tens tudo, agora, só te faltando a de Medicina. Que pena, peninha! No setor da Saúde não te falta a assistência de modernos hospitais e competentes médicos e dentistas. A vida esportiva e recreativa evoluiu com o surgimento de simpáticas agremiações do gênero, enquanto a social se valorizava com a participação ativa da população em todos os movimentos da área. Ao desenvolvimento de tudo acompanharam, expressivamente, os teus meios de comunicação: jornais, revistas, rádios e televisões, que, inclusive, se inseriram na sofisticada tecnologia da digitação computadorizada e da artística impressão a cores, do que tem o Jornal da Cidade muita coisa para mostrar. Paralelamente, o despertar da urbe atingiu também os serviços de segurança pública, em função do que ganhou ela os mais importantes órgãos policiais conhecidos civis e militares, estaduais e federais. Finalizando, é essa, amiga, a tua foto de corpo inteiro. Como estás linda!
Então, Bauru querida, estás hoje com a fisionomia de cidade de primeiro mundo pelo seu aspecto moderníssimo, seu dinamismo, seu adiantamento e sua absoluta liderança no contexto do Estado e do País, com cujo retrato empolgas os teus filhos e quantos te buscam de longe. Parabéns, amiga, pelos teus 105 anos, são os cumprimentos muito calorosos do JC.
(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado