08 de julho de 2026
Geral

PM frustra megarroubo de remédio

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Oito pessoas, acusadas de integrar a quadrilha, foram presas. Ladrões pretendiam levar R$ 500 mil em remédios.

Homens fortemente armados tentaram levar medicamentos avaliados em mais de R$ 500 mil da distribuidora Unitown Ltda, localizada na Vila Independência, Zona Oeste de Bauru, ontem. Acuados pela Polícia Militar, os ladrões colocaram a população da região da Vila Independência em risco: roubaram veículos para fugir, trocaram tiros com a Polícia Militar e fizeram reféns. Mas oito homens, acusados de tentar o assalto, foram presos. Com eles, a polícia apreendeu seis armas de grosso calibre, dentre elas uma metralhadora 9 milímetros. Um dos homens presos cumpria pena no regime semi-aberto em Franco da Rocha.

A véspera do feriado estava calma até por volta das 11 horas, quando a PM recebeu a informação de que estava ocorrendo um roubo na distribuidora de medicamentos que fica na quadra 10 da rua Shimpei Okiyama, Vila Independência. A informação, segundo a polícia, veio de uma pessoa que falava ao telefone com um funcionário da empresa no momento em que os assaltantes entraram no estabelecimento.

O funcionário viu os homens entrando armados e desabafou com o interlocutor, dizendo que a empresa estava sendo assaltada. A pessoa ligou para a polícia e relatou o que havia ouvido. Uma equipe da PM chegou ao local pouco depois e deparou com um caminhão-baú sendo carregado pelos próprios funcionários.

Um dos assaltantes atendeu a PM e, com um sinal típico usado pelos policiais, quis dizer que tudo estava bem e que ele fazia a escolta dos medicamentos. O policial ia comunicar o fato ao companheiro de viatura quando foi surpreendido com uma rachada de metralhadora. Embora nenhum dos tiros tenha atingido-o, a situação tornou-se perigosa de um momento para outro.

Houve troca de tiros entre os policiais e os assaltantes, momento que chegou reforço da PM ao local.

Os ladrões fugiram sem levar nenhum bem da transportadora e o caminhão, dos ladrões, foi deixado no local. Cada um do grupo tomou um rumo diferente. Francisco Márcio Fernandes Saraiva, um dos oito acusados da tentativa do roubo, foi preso logo que deixou o estabelecimento. A polícia apurou que ele seria o mandante do crime e não teria conseguido correr porque é obeso. Com ele, não foi apreendido nenhuma arma.

Amauri Oliveira da Cruz que, quando preso identificou-se como Maurício Oliveira da Cruz, saiu da distribuidora e invadiu uma residência das imediações. Obrigou o morador, que preferiu não ser identificado, a entregar a ele uma Parati. Com o veículo, ele tentou fuga, via saída para Piratininga.

Na quadra 34 da avenida Castelo Branco, Cruz teria fechado a ambulância da Prefeitura de Piratininga, rendido o motorista e embarcado no veículo. Ele teria colocado a arma no ouvido do motorista e ordenado que seguisse até aquela cidade.

Em Piratininga, próximo a uma escola, com o carro em movimento, o acusado desembarcou e mandou que o condutor seguisse em frente. Em seguida, Cruz teria tentado assaltar um outro motorista para fugir com o carro, mas a polícia já tinha sido avisada e chegou naquele momento. Na fuga, ele trocou tiros com os policiais, foi ferido no braço direito e preso.

Ao mesmo tempo, outros dois acusados de participar da tentativa de assalto - José Célio Gonçalves do Nascimento e Adriano Bezerra - fugiram a pé. Os dois teriam parado em um bar e roubado um Gol. Pelo que a polícia apurou, os dois iniciaram a fuga pela avenida Castelo Branco, mas pouco antes de atingirem a rotatória da Vila Independência foram vistos por uma equipe da Polícia Militar, que os cercou.

Adriano Bezerra, que dirigia o Gol, saiu do carro deixando o veículo em movimento e provocando um choque contra a viatura da polícia. Ele foi preso e com ele foi apreendido uma pistola 9 milímetros. Os policiais trocaram tiros com José Célio do Nascimento, que se refugiou em uma residência da quadra 7 da rua Bernardino de Campos, onde manteve quatro pessoas como reféns.

Policiais civis e militares cercaram a casa e negociaram com ele a saída dos reféns. O acusado deixou a casa e se abrigou em um quartinho nos fundos. Em seguida, foi preso e com ele foi localizado um revólver calibre 38.

O mesmo acusado levou a polícia para a rua Tamandaré, quadra 11, próximo da distribuidora, onde ele havia abandonado um revólver calibre 38, durante a fuga. A arma foi apreendida. Outros dois acusados de tentar o assalto - Joilson da Silva Magalhães e Claúdio Donizete de Oliveira - fugiram a pé. Eles teriam descido a avenida Castelo Branco e embarcado em um ônibus circular.

Uma pessoa que estava no ponto de ônibus observou que os dois estavam com armas nas mãos. Ao avistar a polícia, a testemunha avisou que os dois suspeitos estavam no interior do ônibus. O coletivo foi seguido até a avenida Pedro de Toledo, cruzamento com a rua Floriano Peixoto, onde os policiais entraram no ônibus e prenderam os dois acusados, um deles armado com um revólver 38.

Um último acusado foi preso na quadra 11 da rua Tamandaré, dentro de um armário de quarto. Ele teria invadido a casa e se refugiado no armário. A polícia suspeita que mais pessoas estivessem envolvidas no caso, aguardando o desenrolar dos fatos e conseguiram fugir sem deixar pistas.

A suspeita é que os homens presos fazem parte de uma quadrilha de roubo de carga e estavam esquematizados para entregar os medicamentos na Capital. Dentre os medicamentos a serem roubados haviam itens de tarjas pretas e vermelhas.

Adrenalina a mil

O motorista da ambulância da Prefeitura de Piratininga, Cássio Murilo, 41 anos, acostumado a viver sob forte pressão ao transportar pessoas que estão beirando a morte, passou momentos de terror e medo ontem quando foi vítima de assalto. Com uma arma no ouvido, ele foi obrigado a transportar um dos acusados da tentativa de assalto.

Eu tentei manter a calma para não irritar mais. Ele estava muito nervoso, contou, Segundo a vítima, o rapaz acusado entrou no veículo e anunciou o assalto. Quem mais assustou foi a paciente, uma mulher que estava sendo transportada. Ele mandou ela ficar quieta. Caso contrário, mataria todos nós, contou.

O motorista admitiu que mesmo acostumado a trabalhar com a adrenalina a mil, ontem foi pior. Não sabia o que podia acontecer. Optei por obedecer as ordens dele. Quando ele desceu, eu engatei a marcha e segui. Só depois é que fiquei nervoso, disse.