Um dos artistas locais mais respeitados no Exterior, Alcione Torres Agostinho, 68 anos, é um entusiasta quando o assunto é produção artística de Bauru.
Desde que se instalou na cidade, aos 17 anos de idade, até hoje, Alcione diz que o município tem evoluído artisticamente. As artes aqui avançaram barbaridade. Antes, era um clube de velhinhos que cuidava da cidade e premiava-se entre si. Felizmente, a mentalidade da população evoluiu, afirma.
Parte dessa evolução, o artista plástico atribui ao crescimento do número de habitantes e à implantação de jornais e emissoras de televisão, que permitiram um alargamento de horizontes.
Professor de artes desde 1965, Alcione também enxerga uma evolução positiva em relação à mentalidade dos alunos. O ser humano é sempre o mesmo. Fico puto da vida quando um coroa saudosista diz que a juventude não está com nada. Antes, os jovens eram reprimidos. A qualidade não brotava porque sempre estavam à sombra do medo, do proibido. Apesar de que nunca haverá 100% de liberdade, isso mudou e uma das vitórias é o maior número de mulheres fazendo artes, analisa.
Autor do Monumento aos Emigrantes, obra instalada na cidade de Povoa de Varzim, no Norte de Portugal, e que recebeu entusiasmados elogios da crítica européia, Alcione se dedica diariamente à arte, mas sem fazer projetos. Vivo cada dia, afirma o artista plástico, que por 24 anos atuou como chargista do JC e foi professor do curso de Artes Plásticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) até 1996, quando se aposentou.