10 de julho de 2026
Geral

550 milhões de armas circulam no mundo

(*) Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

De todos os graves problemas da atualidade, a violência talvez seja aquele que cause mais apreensão entre as pessoas do mundo inteiro. É necessário que haja maior empenho de governo e sociedade civil por ações que evitem estimular a violência. Um dos fatores, por exemplo, que comprovadamente acirra os conflitos, culminando inclusive com o aumento de óbitos, é a produção e venda de armas de fogo. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de estudos Internacional de Genebra, cerca de 500 mil pessoas morrem por ano (aproximadamente 1.300 por dia), vítimas da violência armada. O relatório foi apresentado numa conferência da ONU, onde foi feito um diagnóstico abrangente da situação e um apelo para que a violência não seja combatida com violência.

Para Keith Krause, conseguir um revólver ou uma pistola é algo simples em vários países. Esse acesso fácil intensifica conflitos e provoca uma verdadeira destruição em massa.

Krause salienta: Pelos números do Instituto, o comércio legal de armas pequenas movimenta de US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões por ano. De um total de 95 países, os maiores produtores são os EUA, responsáveis por 75% das 4,3 milhões de armas fabricadas anualmente. (...) O Instituto estima ainda que o comércio ilegal de armas de pequeno porte movimente US$ 1 bilhão por ano. Das 550 milhões de armas existentes, 55% estão em poder da população civil, e 41% estão em órgãos de segurança do Estado. O índice mais alto está nos EUA, onde há 84 armas de fogo para cada 100 habitantes. O estudo afirma que esse quadro influi fortemente no elevado número de mortes por armas de fogo nos EUA 6 para cada 100 mil habitantes, o maior entre os países desenvolvidos.

É interessante observar o elevado percentual do número de pessoas que possuem armas de fogo nos EUA. Na realidade, o porte de revólveres entre os norte-americanos chega a ser quase patológico. Muitos só se sentem plenamente seguros se estiverem armados. E se preparam para reagir com violência nas situações que julgam suspeitas, muitas vezes, provocando equívocos irreparáveis.

Infelizmente, a violência também é amplamente difundida nos meios de comunicação, especialmente nos filmes, seriados e até desenhos animados. Esta agressividade começa com a linguagem, na própria forma das pessoas conversarem. A mídia exerce um extraordinário poder de influência no comportamento humano. Muito poderia ser evitado se os programas televisivos e também os jogos de vídeo-game não incentivassem tanto a violência.

Podemos, em nosso dia-a-dia, em nossas atitudes concretas, dar um testemunho pela paz. As armas de fogo tornam as pessoas muito mais vulneráveis e expostas à tentação de matar e aos perigos do imediatismo. Vemos mortes ocorrerem por discussões bobas, desentendimentos leves, irritações de trânsito. Nenhum ato de violência justifica a defesa pelo direito à vida. Só o diálogo é caminho para a paz.

(*)Valmor Bolan é doutor em Sociologia. DiretorSecretário da Sociedade Educacional Sulsancaetanense (Soesc).