Levantamento do Data-ITE apontou um custo mínimo de R$ 135,56. Na Zona Sul o preço é o mais alto por região.
O preço mínimo da cesta básica em Bauru teve uma queda de 2,18%, em julho de 2001, atingindo R$ 135,54 contra R$ 138,56 de junho, de acordo com pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), para o Data-ITE. O valor de Bauru permanece abaixo do mínimo apurado na Capital pelo Dieese, que atingiu R$ 146,26, ou seja, 7,9% maior. No mês passado, a Zona Sul da cidade passou a ter o valor mais alto por regiões.
Para o delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, que é um dos coordenadores da pesquisa, a queda de preços em Bauru se deve a um ajuste, já que em junho houve uma alta acima da média em vários preços, como no setor de higiene e limpeza, como impacto da variação cambial. Porém, essa alta não se manteve, em razão da concorrência, existência de estoques antigos ou falta de demanda por produtos.
Para o delegado, os preços estão num processo de acomodação, que deve refletir como estabilidade no valor do preço mínimo da cesta como um todo.
De acordo com a pesquisa, realizada em dez supermercados de Bauru, coordenada pelos professores Jacques Vervier e Cafeo, em julho, o grupo alimentação consumiu R$ 99,86 do total. Esse valor é 0,29% menor que o do mês de junho. A maioria dos preços apresentou pouca variação neste período. Destaques para a batata, com queda de 63%, e para o arroz, com alta de 19,5%
O grupo limpeza doméstica representou um total de R$ 19,71. Esse valor é 6,41% menor do que o do mês de junho de 2001. A água sanitária foi o destaque, com alta de 20,7%, enquanto que o sabão em pó caiu 12,5%.
Já o grupo higiene pessoal, equivalente a R$ 15,97, representou um índice 7,9% menor que o do mês de junho de 2001. O absorvente higiênico foi o destaque, com queda de 28,15%.
A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.
Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças expressivas.
O valor base adotado é o da segunda semana do mês, no caso de julho, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese). A cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para quatro pessoas.
A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.
O valor mínimo total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.
Metodologia
Para definir a cesta básica, foi utilizada a lista de produtos de alimentação, limpeza doméstica e produtos de higiene pessoal definida pela pesquisa do Dieese-Procon para Grande São Paulo. Para o cálculo dos índices, foi utilizada a fórmula de Laspeyre com ponderações fixas de médias das marcas mais freqüentemente consumidas aqui em Bauru, em preços absolutos (reais correntes); utilizou-se o mesmo Questionário de Levantamento de Preços e o mesmo Manual do Pesquisador, elaborados pelo Dieese e Procon, já mencionados.
De acordo com os critérios do Dieese, o valor final da cesta básica é a soma ponderada dos menores preços encontrados nos diversos supermercados. Quem quiser comprar a cesta nesse preço deverá percorrer todos os estabelecimentos para comprar o que cada um oferece no melhor preço. Os resultados serão apresentados mensalmente através de tabelas.
Centro tem menor preço
Por regiões, a pesquisa do Data-ITE verificou que a Zona Central apresenta o menor valor para a cesta básica, com R$ 157,26, que significa 16,02% mais do que o valor mínimo de R$ 135,54. O maior valor está na Região Sul, com R$ 170,62, numa diferença de 25,88% sobre o menor preço.
Em relação ao menor preço, o valor encontrado na Zona Oeste da cidade R$ 159,61 - é 17,76% maior. Esse índice sobre para 20,64% na Zona Norte R$ 163,51. O segundo valor mais alto por região vem da Zona Leste, onde chega a R$ 167,29, ou seja, 23,43% maior que o menor preço.
Para Reinaldo Cafeo, o fato da Zona Sul ter assumido a posição de região com a cesta básica mais cara pode significar que houve uma redução na concorrência acirrada que ocorria entre os supermercadosa daquela área.