As ferrovias aqui chegaram no início do século passado. A partir daí, desencadeou-se um processo de investimentos imobiliários, de natureza privada, sutilmente rotulado de especulação e que, indubitavelmente, compôs a alavanca que projetou Bauru, até o que vemos hoje. Negar os benefícios dessa especulação ou vê-la como nociva ao progresso da cidade é uma tolice. Tivessem os homens que investiram em Bauru investido em outra cidade, e Bauru não seria o que é hoje! A atual estabilidade econômica pôs fim a essa especulação. O mercado de terrenos está praticamente parado, implicando em significativa desvalorização. Quase o mesmo acontece com residências e salões. A cidade inteira está locupletada de placas vende-se e aluga-se, mostrando que não existem áreas ociosas atrapalhando nosso desenvolvimento, aliás, há imóveis sobrando. Em outras épocas houve um aumento intenso do crescimento demográfico, porém, isso já há algum tempo foi revertido. Hoje, felizmente, há pouco aumento da população e o crescimento de algumas cidades explica-se mais pelo movimento migratório. É impossível admitir que alguém queira construir em Bauru e não encontre terrenos.
Nossa cidade vê, nos últimos anos, uma retirada das empresas aqui sediadas, e que pela privatização foram para outros lugares. Vemos uma discreta diminuição das atividades empresariais. Esses fatos somados apontam para uma não ocupação das áreas nuas ainda existentes em Bauru, num futuro próximo. Punir os proprietários com mais tributos é apenas mais um ardil para aumentar a arrecadação, em cima de uma sociedade recessiva e esfarrapada, dificultando ainda a sua reestruturação.
Esse Estatuto da Cidade não parece ter utilidade para Bauru, assim como várias outras alucinações do ilustre sociólogo-pecuarista, FHC. Esperamos que o prefeito do bem não incentive os proprietários de áreas ociosas a construírem imóveis inúteis, pois os mesmos acabarão somando-se a outros já existentes e abandonados, que servem apenas para alojamento de bandidos. Para que incumbir os especuladores imobiliários de nova expansão urbanística, em toda a área do Município, sem antes tornar carroçável parte do urbanismo já existente, esburacado e destroçado? (Sidney Travalini - e-mail: travalini@uol.com.br)