07 de julho de 2026
Geral

A hora de dizer chega

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

O lucro de balanço anunciado pelo Itaú, de quase R$ 1,5 bilhão, ou do Bradesco, que também ultrapassou a casa do R$ 1 bi, escancaram a evidência que o País pode ir mal, mas os banqueiros vão bem, obrigado. São os primeiros a especular com dólares, o que até seria compreensível se desejassem apenas proteger o patrimônio de um desastre maior. Mas, o que querem mesmo é ampliar a margem daquilo que os espanhóis muito apropriadamente chamam de ganancias. Dinheiro nunca é de menos, dizia meu avô que morreu pobre.

Tudo isso não seria tão importante em termos de economia popular. O povo ganha em real, não viaja para a Disney e nem conhece Franklin e Washington pelos retratinhos. Problemas são os lançamentos feitos no seu extrato bancário que desafiam a lógica do mais paciente dos correntistas. Sem falar nas colunas que avisam: recursos disponíveis, menos CPMF, Tarifa Extrato, Talão Entregue, Saldo Total POC, Tarifa - Manutenção Conta, mais taxas de renovação de cadastro, anuidades de cartão de crédito vinculados ao banco, débitos de seguros não solicitados e um elenco de denominações cabalísticas que o proprietário da conta simplesmente não entende.

Ainda bem que o meu banco não cobra pela manutenção da conta ativa. Pois para manter sua conta ativa há bancos cobrando até R$120. Pelo simples fato de tê-lo como cliente - privilégio pelo qual brigam à dentadas. Se lutam para ter mais clientes, como podem cobrar pelo fato de os terem conquistado? É o mesmo que cobrar beijo da namorada.

O Conselho Monetário Nacional acaba de aprovar uma série de resoluções para ver se acaba com essa farra de bode. O curioso é que quase todas as normas já estavam vigentes, apenas não eram cumpridas. A maior parte constante do Código de Defesa do Consumidor, o mesmo que o Superior Tribunal de Justiça decidiu ser aplicável a todos os contratos bancários. Ter caixa eletrônico adequado para atendimento a deficientes é uma delas. Pois bastou que fossem anunciadas para o diretor-geral da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) advertisse com grande petulância: Vai sobrar para os clientes. Mais tarifas nos nossos extratos. Nem precisava dizer o que todos já sabem e experimentam em suas desventuras diárias - o absoluto desrespeito dispensado pela banca brasileira aos seus clientes e usuários. As taxas de juros, por exemplo, continuam absurdamente abusivas e pornográficas, mesmo quando o risco dos bancos e financeiras é zero - empréstimos para pagamento em descontos na folha salarial, por exemplo. O cliente com toda uma história de bom pagador geme com os mesmos juros daqueles que ainda são apenas promessa.

Todos os dias os órgãos de defesa do consumidor são entupidos com dezenas de queixas e reclamações contra os constantes erros praticados pelos bancos em todo o Brasil. O incrível é que para sua reparação, o cliente, usuário ou correntista tenha que fazer uma longa peregrinação pelos Procons e nem sempre bem-sucedida.

Em qualquer país civilizado os bancos, eles próprios, tomam a iniciativa de retificar seus erros, até porque sabem que se assim não fizerem serão exemplarmente punidos. No Brasil não se tem notícias de multas significativas ou suspensões aplicadas aos bancos que tenham infringido normas e regras estabelecidas em favor do cliente. São várias as leis municipais que fixam um prazo máximo em que o usuário de serviços bancários pode permanecer em pé na fila. Nenhum banco a cumpre e, a cada dia as filas aumentam com a dispensa de funcionários. Também já é antiga a regra que proíbe uma distinção no atendimento entre clientes e não-clientes. O Banco do Brasil, que deveria dar exemplo, exibe na sua agência da Av. Getúlio Vargas um grande cartaz junto ao caixa: Pagamento de IPTU somente com débito em conta. Vá o leitor a qualquer agência do HSBC e comprove: a primeira pergunta que se lhe faz é a seguinte - é cliente? Se a resposta for não, tome o rumo do purgatório.