09 de julho de 2026
Geral

Os 12 passos para salvar a carreira

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Por que algumas carreiras bem-sucedidas e aparentemente fadadas à infinita ascensão terminam ou sofrem uma queda drástica de repente? As razões para esse fenômeno, nada incomum, podem ser as mais variadas e vão depender de cada caso. Analisando essa questão, os diretores do curso de desenvolvimento de carreira no MBA da Harvard Business School, nos Estados Unidos, James Waldroop e Timothy Butler, chegaram à conclusão que, por mais diferentes que sejam os profissionais, homens ou mulheres, e suas áreas de atuação, a maioria incorre em um ou mais dos 12 erros básicos que não devem cometer se quiserem preservar a carreira. Os resultados dessa análise estão em Sucesso Máximo - Quebre os 12 Hábitos que Ameaçam a sua Carreira, que está sendo lançado pela Editora Campus.

Com uma linguagem informal e muitos exemplos reais (alguns explicados com a ajuda da psicologia, que vai buscar a origem dos sucessos ou fracassos até mesmo na infância dos personagens), os autores se propõem a ajudar o leitor a identificar e entender quais são os enganos que qualquer profissional corre o risco de cometer e como evitá-los. Waldroop e Butler partem do princípio que todas as pessoas possuem pontos fortes e pontos fracos e a diferença entre uma pessoa bem-sucedida e outra fracassada é a capacidade de saber como compensar suas fraquezas, assim, não comprometer a sua trajetória profissional. Veja que comportamentos deve-se evitar para sua carreira não correr riscos.

1 - Não sentir-se suficientemente bom - De acordo com Waldroop e Butler, isso acontece com profissionais que têm experiência e talento, mas que se sentem pouco a vontade quando são colocados frente-a-frente com um grande desafio, como peixinho atirado num lago muito grande, que fica ansioso e preocupado com o espaço estranho. O profissional nessa situação não consegue desenvolver todo o seu potencial e, invariavelmente, é levado ao fracasso. A solução nesse caso é fazer uma auto-análise para poder detectar de onde e porque esses sentimentos vêm e tentar uma transformação pessoal.

2 - Ver o mundo em preto-e-branco - Os meritocratas, segundo os autores, são as pessoas que não conseguem perceber que nem sempre o que conta na vida profissional é o talento, a inteligência e a capacidade, mas o sobrenome e as influências. Por conta desse erro de flexibilidade e falta de diplomacia, muitos profissionais acabam se tornando estritamente racionais, ou seja, enxergando o mundo em preto-e-branco, certo ou errado, o que não corresponde à realidade dos fatos. O meritocrata tem que aprender a ouvir sem julgar e tentar sempre imaginar a forma como o seu chefes, amigos. colegas de trabalho e familiares vêem o mundo antes de agir por conta própria baseado apenas no seu ângulo.

3 - Trabalhar e se esforçar demais - Existem pessoas que estabelecem metas muito altas e ambiciosas para si e para seus subordinados, exigindo demais de todos. São o que Waldroop e Butler chamam de heróis, aqueles não sabem reconhecer a hora de descansar ou saborear uma conquista e só visualizam metas inatingíveis. O herói tem que aprender a medir os ânimos da equipe com a qual trabalha e saber que ele não precisa fazer tudo sozinho ou se matar numa tarefa, pois corre o risco de ser vítima do próprio heroísmo.

4 - Evitar o conflito a qualquer preço - Quem foge de uma discussão a qualquer preço e fica remoendo sua raiva por medo do que vai acontecer não demonstra ao que veio. Fica como uma presa à espera de predador. A causa desse tipo de comportamento pode estar num sentimento frágil em relação a si mesmo ou numa infância solitária e deve ser combatida com um trabalho de auto-estima. É preciso ser conciliador mas também saber qual a hora certa de atacar, se necessário.

5 - Atropelar agressivamente a oposição - Dos padrões analisados pelos autores de Sucesso Máximo - Quebre os 12 Hábitos que Ameaçam a sua Carreira, este é o único no qual há uma predominância masculina. Trata-se do comportamento daquela pessoa que não respeita ninguém à sua volta e só sabe pressionar a todos, passando por cima de quem for preciso, provavelmente por uma questão de criação. A solução para o caso? Saber pedir perdão e a não fazer para os outros o que não quer que façam para você.

6 - Ser um rebelde sempre em busca de uma causa - Ser desafiador e lutar por questões (mesmo que morais e éticas) tem um limite. Existem momentos em que se elevar contra a autoridade é certo, outros não. Os melhores rebeldes sabem quais as batalhas que valem a pena e conhecem outras formas de resolver as coisas quando a rebelião não é a resposta adequada, colocam Waldroop e Butler.

7 - Estar sempre correndo para o pódio - Alguns profissionais querem fazer tudo ao mesmo tempo de uma só vez, muitas vezes se envolvendo em negócios sobre os quais não tem domínio. Essa ânsia desenfreada de obter o sucesso pode levá-los à ruína em pouco tempo. Esse comportamento é muito comum em filhos de pais famosos que tentam a todo custo manter a tradição de vitória do nome, mesmo sem ter o mesmo talento. Pessoas assim precisam de um trabalho psicológico para saberem que não têm que fazer tudo sozinho sempre.

8 - Ter muito medo - As pessoas que são muito preocupadas, pessimistas e têm medo de tudo tem grande probabilidade de fracassar na profissão. Tratam-se de indivíduos sensíveis a cometer erros e fazer qualquer coisa aquém das expectativas. Geralmente, são os que vêm de uma origem humilde e sofrida e precisam saber que, como num jogo de xadrez, é preciso sempre pensar vários movimentos à frente e estar pronto para aproveitar as oportunidades. O jogador que se concentra inteiramente na defesa, nunca será um ganhador consistente, afirmam Waldroop e Butler.

9 - Ser emocionalmente surdo - Não saber perceber como anda o moral da equipe, quais são seus problemas e frustrações no dia-a-dia isola o profissional, que passa a ser visto com uma pessoa distante e insensível. O ideal para evitar que isso aconteça é procurar integração, se comunicando ao máximo com as pessoas no ambiente de trabalho e fazendo diferença direta nas suas vidas.

10 - Achar que nenhum emprego serve - Ninguém deve pensar que poderia fazer qualquer tipo de trabalho se quisesse. Não há nada de errado em se sentir capaz de executar várias tarefas mas, sim, em não se fixar em nenhuma delas. O profissional não é um turista em busca de aventura, um ser sem raízes. É preciso traçar um objetivo, uma carreira e investir fundo nela, sem pular de galho em galho.

11 - Perder a noção de limite - Um velho alerta da Segunda Guerra: A língua solta vai afundar o seu navio serve para ilustrar o que acontece com pessoas que falam demais, expressem todas as suas opiniões e não sabem dividir os problemas pessoais dos particulares. O silêncio é uma virtude que precisa ser cultivada corporativamente para o bem do trabalhador dentro de uma empresa. O que acontece no trabalho deve ficar no trabalho e o que acontece em casa também não deve sair de lá. Senão, o navio afunda.

12 - Perder o rumo - Muitas pessoas sentem, num momento, que perderam seu senso de direção. As razões para isso podem ser várias: a perda de alguém, uma desilusão amorosa, uma crise existencial... O fato é que a interferência desses problemas na vida profissional deve ser mínima e não durar muito. Esses momentos devem ser encarados como aprendizados que podem despertar um potencial escondido em cada um e precisam ser vistos mais como recomeços do que finais da história.