08 de julho de 2026
Geral

Perda de linhas por inadimplência é grande

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Enquanto o número de linhas residenciais fixas cresce espantosamente, o índice de retirada de telefones por falta de pagamento também assusta. Das 15 mil linhas instaladas na região de Bauru no mês passado, sete mil - ou 46% - foram cortadas.

A Telefônica não informou em qual fatia da sua clientela a incidência de retirada é maior, mas sabe-se, por dedução óbvia, que os cortes são mais comuns nas classes C e D, justamente nos estratos onde a empresa mais expandiu. Há clientes de outras faixas que também figuram na lista de inadimplência, mas a capacidade destes reverterem a situação é maior. A parcela menos favorecida financeiramente, uma vez que atrasa o pagamento de uma conta, dificilmente consegue saldar a dívida. Três meses sem pagar o telefone significam a retirada sumária da linha, que pode ser transferida a outro interessado.

A grande quantidade de linhas retiradas deixa claro que a democratização do setor é falsa de certo ponto de vista, pois "dá com uma mão e tira com a outra".

De um lado, é preciso reconhecer que a privatização abriu caminho para uma grande parcela da população ter acesso ao benefício do telefone, um serviço já há muito considerado básico. De outro, porém, deixou ainda mais evidente a incapacidade financeira dessas pessoas, que se vêem deslumbradas com a idéia de ter o telefone em casa e logo depois sentem a frustração de não poder pagar por ele. É como tirar o doce da mão de uma criança.

É o serviço que custa caro ou o salário que é baixo demais? Claro que a segunda opção é a mais coerente. Afinal, como manter um telefone em casa com um salário mínimo de R$ 180,00, que mal dá para pagar a comida, ou com dois salários que sejam? Hoje, por menos que se gaste com ligações, o usuário gasta no mínimo R$ 30,00 por mês - R$ 23,00 só com a assinatura mensal.

Na verdade, portanto, o serviço não está mais barato. Facilitou-se, sim, o acesso à linha, hoje em torno de R$ 76,00. O preço aparentemente módico atraiu a população mais pobre, que chegou a ver uma linha telefônica custando mais de R$ 3 mil. A diferença é realmente gritante e chega, por esta razão a enganar. O que não se prega aos quatro ventos é que o custo do serviço sobe de acordo com um dos maiores índices da inflação e que tudo é muito bem cobrado.

Muita gente gente já se viu impossibilitada de pagar a conta no primeiro mês, pois utilizou tudo o que tinha direito e falou com todos os parentes de fora sem se dar conta do custo. Democrático mesmo será quando todos realmente puderem manter o bem e não só adquiri-lo.