09 de julho de 2026
Geral

TUPs estão em quase 100% dos bairros

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 5 min

Com exceção de um ou outro bairro situado fora da área de operação básica da Telefônica, a cidade inteira de Bauru é servida por Telefones de Uso Público. Densidade no município supera média estadual.

Quem algum dia já precisou de um telefone público sabe a exata importância desse simpático aparelho que costuma ficar dentro de uma concha em forma de orelha grande, a qual também serve de proteção em dias de chuvas. Nunca o bom e velho orelhão esteve tão valorizado, embora uma expressiva parcela da população já tenha uma linha fixa em casa ou um celular no bolso. Esteja dentro de uma moderna cabine ou destinado aos usuários portadores de deficiência (existe até os de uso exclusivo para os deficientes auditivos), o Telefone de Uso Público (TUP) continua sendo bastante utilizado, tanto que hoje pode ser encontrado, na maioria das vezes, a uma distância de 300 metros uns dos outros.

Bauru possui atualmente 2.976 TUPs, estando a maioria (905) na região do Altos da Cidade. Em cumprimento das metas - com vistas na abertura do mercado a partir do ano que vem - e também da demanda, a Telefônica deve instalar outros 600 aparelhos na cidade, aumentando a densidade atual de 9,2 TUPs para cada 1.000 habitantes. Essa densidade, por sinal, supera em muito o mínimo exigido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que impõe três aparelhos para cada grupo de 1.000 pessoas. A densidade em Bauru também é superior à média do Estado de São Paulo, que é de 7,7 TUPs para cada 1.000 pessoas.

A louvável estatística, por enquanto, não é realidade em toda a cidade. Algumas localidades carentes de infra-estrutura, como o Jardim Manchester, não dispõem de nenhum TUP, fato que obriga os moradores a andar um pouco para ter acesso ao meio de comunicação. Ainda assim, ponderados todos os aspectos, a situação do município seria positiva. Não há, por exemplo, nenhuma escola ou centro de saúde na cidade que não tenha pelo menos um telefone público.

70% dos TUPs existentes na cidade ficam disponíveis aos usuários 24 horas por dia, pois o restante está instalado dentro de bares, supermercados, farmácias ou lojas que fecham as portas. Todos, porém, têm o caráter comunitário, ou seja, fazem e recebem ligações.

Vandalismo

Apesar de socorrer a muitos nos momentos de emergência, há ainda quem se distraia em depredar os telefones públicos. As ações de vandalismo vão do simples mau uso do cartão a cenas que revoltam qualquer estômago - vira e mexe, as equipes de limpeza da Telefônica têm que agir para retirar excrementos humanos das cabines. Muitos vândalos, às vezes irritados com uma ligação malsucedida, arrebentam os aparelhos, que também costumam ser alvos de ladrões.

Cerca de 25 mil TUPs são depredados mensalmente em todo o Estado - a Telefônica não informou qual o índice em Bauru. A média vem se repetindo nos últimos 12 meses, mas já foi pior. Atualmente, a população tem se mostrado mais consciente quanto à necessidade de cuidar do bem.

Ao mesmo tempo, a operadora vem intensificando medidas antivandalismo. Desde 1999, por exemplo, já estão em funcionamento as leitoras auto-limpantes, que resolvem automaticamente boa parte dos problemas causados por introdução de cartões quebrados e outros objetos estranhos. Segundo a Seção de Controle Operacional da Telefônica, 70% dos atos de vandalismo envolvem problemas na leitora.

A empresa também tem instalado suportes anti-depredação para impedir o acesso aos fios. Os novos monofones já possuem cordões reforçados, além de serem fabricados com material mais resistente a impactos. Outra medida bastante eficiente foi a retirada dos TUPs de locais onde a reincidência de vandalismo era grande. Atualmente, as instalações priorizam a proximidade com estabelecimentos comerciais, onde a circulação de pessoas inibe ações contra o patrimônio.

Bem servido

O Parque Santa Edwirges talvez seja um dos bairros periféricos mais bem servidos de telefones de uso público. A cada três quadras, quando muito, pode-se avistar um orelhão. O bairro, por sinal, tem mais TUPs do que ruas: são 47 aparelhos para 41 ruas.

A realidade, entretanto, era bem diferente há cerca de seis anos, quando apenas quatro orelhões atendiam ao bairro, um dos mais numerosos de Bauru. Para piorar, o tronco telefônico da telefonia fixa ainda não havia chegado ao local. Aqui era triste, viu. Tínhamos uma capacidade de comunicação muito precária, sem falar dos postes instalados no meio das ruas, das casas irregulares e da escola que era para ser aqui e que foi construída no bairro vizinho. Os orelhões que existiam só faziam ligação, o que impedia que o resto do mundo entrasse em contato com a gente no caso de uma emergência, conta Vivaldo Pereira Martins, presidente da Associação de Moradores desde então.

Foi a entidade, por sinal, que conquistou a maioria dos TUPs - 32 dos 47. Penamos de tanto pedir, mas quando veio, veio tudo de uma vez, comemora Martins, com um pacote de ofícios em mãos. Ele, aliás, foi o telefonista oficial do bairro por muito tempo, pois um dos primeiros TUPs comunitários - aquele que também recebe ligação - foi instalado defronte sua casa. Era uma loucura. As pessoas ligavam a toda hora e a gente acabava chamando ou dando o recado. Muita gente achava que eu tinha obrigação de dar o recado e ficava brava quando eu dizia que não podia. Depois, as coisas foram melhorando, porque eu pedi para que as chamadas fossem feitas com horário combinado. Até hoje o pessoal liga para cá, conta.

Os TUPs começaram a ficar em segundo plano do Santa Edwirges do ano passado para cá, período em que as linhas fixas começaram a ser instaladas. Hoje, Martins tem telefone dentro de casa, mas, mesmo assim, o acaba emprestando quando é solicitado. Deixo à disposição de quem precisa, mas aviso para evitar celular e interurbano, porque é muito caro, né?