08 de julho de 2026
Geral

Comunicação para todos

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

O telefone é um bem que já se incorporou ao cotidiano de milhões de brasileiros, mas que nunca esteve tão próximo das classes menos privilegiadas. Enquanto uma parcela da população já o tem acoplado a uma série de serviços, como fonte essencial de acesso à Internet, outra considerável está aprendendo agora a utilizá-lo no ambiente doméstico - antes, só tinham contato com o aparelho no trabalho ou na rua, através dos orelhões.

Com visão crítica isenta, a privatização do sistema de telefonia alavancou o setor em números: desde que saiu das mãos do Estado, há três anos, a quantidade de Telefones de Uso Público (TUPs) aumentou 64%; com as linhas residenciais, o salto foi de 93%. Para quem pode pagar, o acréscimo de benefícios foi muito além. Linha inteligente, Speedy (acesso rápido à Internet) e detector de chamadas são alguns dos vários serviços à disposição dos clientes.

Bauru, particularmente, é um município onde o sistema de telefonia é bastante favorecido, superando as médias do Estado em relação às linhas fixas e aos equipamentos públicos. Isso porque, dentro das estratégias da Telefônica, que, frente à concorrente Vesper, detém a esmagadora maioria do mercado, a cidade representa um foco importante de investimentos. Para a empresa, é interessante ter Bauru como top de linha .

De 1998 até agora, a planta do sistema telefônico cresceu 76%, saltando de 66.201 telefones para 116.453. Os planos de expansão que vinham da época da Telesp já estão praticamente cumpridos. Até o final deste mês, a promessa é de que todos os pedidos sejam atendidos - com o detalhe: desde que os pontos residenciais estejam dentro do área básica de operação. Zona rural e locais que fazem divisa com o perímetro urbano exigem orçamentos específicos, ou seja, os interessados têm que pagar se quiserem o benefício. Para a Telefônica, essa atitude não é discriminatória e nem fere o atendimento sob o aspecto social, pois serviços essenciais como água e luz também têm suas limitações.

Poderíamos dizer, então, que Bauru está 100% servida do sistema telefônico? Sim, mas desconsiderando alguns pequenos bairros distantes, como o Jardim Manchester. Lá, os moradores não possuem sequer rede de energia elétrica, quem dirá telefone. Nem mesmo de orelhões públicos os moradores dispõem - quando precisam se comunicar, são obrigados a recorrer ao bairro vizinho, o Santa Terezinha.

Os demais bairros periféricos, porém, estão sendo, pouco a pouco, atendidos. As linhas que deverão ser instaladas até agosto, por exemplo, estão concentradas em locais mais afastados, com destaque para a região Norte, onde se verificou a maior expansão da telefonia nos últimos anos. Bairros como Santa Edwirges, Pousada da Esperança, Fortunato Rocha Lima estão inseridos na referida faixa.

Da mesma forma que representou a expansão do setor, a privatização também trouxe maiores índices de telefones retirados. A Assessoria de Imprensa da Telefônica não informou quantos clientes perdem as linhas mensal ou anualmente, mas a quantidade é assustadora. Antes, isso não acontecia com tanta freqüência porque as pessoas tinham a propriedade da linha, que era comercializada a preços altíssimos - em 1995, por exemplo, paga-se mais de R$ 3 mil por uma. Hoje, porém, com menos de R$ 100,00 se consegue uma linha fixa, mas a propriedade sobre ela é bem mais restrita. A falta de pagamento, por exemplo, não significa apenas seu simples desligamento, mas sua retirada e a possibilidade de transferência para outra pessoa.

Não se pode negar que o serviço está custando mais caro - a assinatura residencial mensal vem sendo reajustada gradativamente e já subiu, no mínimo, 20% . Hoje, dificilmente se gasta menos de R$ 30,00 com telefone por mês, um valor consideravelmente alto para quem vive com um salário mínimo.

Conclui-se, portanto, que a telefonia chegou sim, indiscutivelmente, ao alcance de todos, mas não são todos que conseguem ter acesso a ela. O problema seria o custo do serviço ou o salário baixo demais? Certamente, o ganho dos trabalhadores ainda é o grande vilão e empecilho para a imensa maioria dos assalariados ter acesso às tecnologias modernas - ou nem tanto. Mesmo assim, as coisas podem melhorar para os usuários da telefonia a partir dos próximos anos. Em 2002, o mercado será aberto e outras empresas poderão aparecer para dividir o bolo, o que poderá baixar ou, pelo menos, conter os preços aos usuários.