11 de julho de 2026
Geral

O passeio histórico começou na praça Rui Barbosa, seguiu pelo Calçadão, passou pela praça Machado de Mello e galpões de antigas oficinas da Noroeste.

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A situação de abandono em que se encontra a estação ferroviária da Noroeste do Brasil despertou a curiosidade dos cerca dos 300 participantes da III Caminhada Histórica de Bauru, realizada na manhã de ontem. O evento foi organizado pelo jornalista e historiador Luciano Dias Pires, coordenador do Instituto Histórico Antonio Eufrásio de Toledo.

A caminhada começou na praça Rui Barbosa, palco de acontecimentos sociais e políticos de envergadura no passado, local onde Pires convidou os participantes a ingressarem no túnel do tempo para reviver a Bauru do início do século. Antes de atingir a praça Machado de Mello, o historiador passeou pelos quarteirões do Calçadão da Batista de Carvalho.

Quadra a quadra, ele foi apontando e narrando os prédios que até hoje abrigam um pouco do clima histórico da cidade. Mas, a principal atração da caminhada foi a sexagenária estação ferroviária da Noroeste do Brasil. Inaugurada em 1.º de setembro de 1939, a gare está abandonada há dois anos.

Palco de embarque e desembarque de figuras políticas, como o ex-presidente Getúlio Vargas e o ex-governador Adhemar de Barros, o local aguçou a curiosidade dos participantes do evento. Foi o lugar no qual fui mais questionado. As pessoas queriam saber os motivos do abandono da estação, explicou o historiador.

O prédio, que por décadas abrigou a direção da Noroeste do Brasil, está tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac). Ainda na praça Machado de Mello, foi possível observar o estilo arquitetônico do Hotel Cariani, que sobreviveu à ação do tempo e mantém-se intacto.

A caminhada avançou pela avenida Pedro de Toledo até alcançar a praça Itália. Pires ilustrou sua narrativa histórica apontando os galpões das antigas oficinas da Noroeste, responsáveis pelo surgimento da Vila Falcão, o mais antigo bairro da cidade, onde residiam os ferroviários da NOB.

Na seqüência, o evento apresentou aos participantes o local onde, por 23 anos seguidos, foi palco das grandes partidas de futebol do Município. Hoje, a área está tomada pelo prédio do Centro de Saúde, na rua Quintino Bocaiuva. O estádio do Esporte Clube Noroeste funcionou de 1935 a 1958 nesse local, disse Pires.

A caminhada se encerrou na sede do Instituto Histórico Antonio Eufrásio de Toledo, onde os participantes tiveram a oportunidade de apreciar documentos, fotos e objetos antigos que ilustraram as cenas do passado da cidade.