08 de julho de 2026
Geral

PI quer ampliar capacitação de presos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Os cursos de capacitação estão sendo realizados com apoio do Sebrae, pelo programa Brasil Empreendedor.

A Penitenciária I (PI) de Bauru deve incentivar e ampliar os programas de capacitação de detentos, nos próximos meses. Os programas têm como objetivo propiciar uma profissão a eles para que não voltem ao crime quando reinseridos na sociedade. A informação é do diretor-geral da PI, Wilson Elorza Júnior.

O primeiro curso de capacitação entre os detentos da PI foi realizado no início de julho. O Programa Brasil Empreendedor, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), capacitou 22 dos cerca de 900 presos da penitenciária.

Os participantes do curso fazem parte do grupo de cerca de 350 presos que já realizavam trabalhos dentro do presídio em serviços prestados a empresas de confecções, eletrodomésticos, imagens de gesso e construção civil, entre outras áreas.

O enfoque do curso, que tem duração de 16 horas, é a gestão empresarial e o comportamento empreendedor, de acordo com Fábio Cardoso, coordenador da área de educação do Sebrae. Trabalhamos administração, finanças, marketing, enfim, toda a parte do empreendedorismo de forma ampla e dinâmica, disse.

A capacitação é voltada, principalmente, aos detentos que têm intenção de montar um negócio próprio, assim que terminada sua pena na PI. Mesmo que não tenha intenção de abrir um negócio próprio, ele já vai sair sabendo como funciona uma empresa, observou Cardoso.

O diretor da PI acredita que iniciativas como essa facilitam o processo de ressocialização dos presos. O mercado de trabalho está difícil e, por ser um ex-detento, torna-se ainda mais difícil. Por intermédio do Sebrae, eles poderão montar seu próprio negócio e não vão precisar voltar ao crime. Na Capital, já temos exemplos de detentos que conseguiram montar pequenos negócios como carrinhos de lanches, por exemplo, destacou Elorza.

Inicialmente, estão realizando os cursos apenas os detentos que já desenvolvem atividades dentro da PI. A finalidade é aliar o aprendizado do preso durante o ofício que ele exerceu prestando serviço a empresas à orientação que eles recebem nos cursos de capacitação, expôs Elorza.

Ele acrescentou que a iniciativa está sendo apoiada pelo Posto Cultural da PI, organizado pelos próprios detentos, cujo jornal periódico traz informações sobre os cursos de capacitação.

Novos cursos

A PI tem planos para a abertura de uma nova turma de capacitação. De acordo com o diretor da penitenciária, novas inscrições devem ser abertas em breve. Já notamos que isso tem despertado bastante interesse entre os detentos. Mas, por enquanto, estão sendo inscritas poucas pessoas porque na sala de aula não cabe mais do que 25, explicou.

Além disso, a diretoria da PI está cogitando a implantação de cursos profissionalizantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) - como informática e panificação - entre os detentos. O objetivo é sempre que ele aprenda o ofício e consiga emprego ao sair da penitenciária, enfatizou Elorza. Queremos ampliar e incentivar essa iniciativas para que se quebre essa imagem de que o preso só aprende o que não deve na cadeia. Estamos procurando trabalhar no sentido inverso, para que o preso ocupe seu tempo com uma profissão e com uma oportunidade de sobreviver em liberdade sem precisar voltar ao crime, afirmou Elorza.