08 de julho de 2026
Geral

Emílio e a arte dos rabiscos

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Artista plástico e escritor Emílio Figueira faz o lançamento de Traçosde Interior; livreto foi concebido, produzido e ilustrado pelo autor.

Riscos e rabiscos carvoentos. É assim o subtítulo de Traços de Interior, de Emílio Figueira. Também os são os desenhos a carvão do artista, que ilustram pequenas crônicas espalhadas nas trinta e tantas páginas, a maioria, lembranças da infância.

O livro está sendo lançado na Semana Emílio Figueira, que vai até 10 de agosto, no Gonçalez Comunidade Artística. No local também pode ser vista uma exposição de 11 telas a óleo, produzidas pelo artista.

Nostálgico e sensível, Emílio enche suas recordações de humor e críticas sutis. Os textos que contornam o singelo livreto - concebido, escrito, ilustrado, produzido e editado pelo autor -, falam de coisas presentes da meninice de muitos na faixa dos 31, como a linha do trem, os jogos e brincadeiras de rua, a escolas e suas merendas, os velhos professores, festas juninas, primeiro amor, músicas (leia texto nesta página).

Aproveitando a ocasião, Emílio expõe (e vende), ainda, 11 telas suas a óleo. Também no local, os originais das ilustrações a carvão publicadas no livro.

Ele considera esta Semana o fim de um ciclo de sua carreira. Quero agora me dedicar à psicologia e me aprofundar em psicologia da arte e arte-educação, diz.

Emílio teve paralisia cerebral e, como a deficiência atacou sua coordenação motora, dos 2 aos 5 anos, por não andar, começou a pintar. Quando foi alfabetizado, aos 5, deixou as tintas de lado e passou a escrever.

Trabalhou no Centrinho por sete anos e chegou a publicar 21 artigos científicos, além de ter escrito cinco monografias. Também coleciona textos literários, infantis e poesias. Esas últimas, segundo ele, somam 400 páginas.

A pintura só voltou à sua vida 30 anos depois, mas não deve ser a principal atividade do artista nos próximos anos. A arte é uma profissão ingrata e muito desgastante. Posso dizer que eu estou empatado com Van Gogh, que vendeu apenas um quadro em vida, brinca.

A Linha do Trem

A história de muitas cidades nasceu com a linha do trem. Muitos vilarejos, depois municípios. Por essas linhas, muita gente veio, muita gente partiu, enquanto o progresso trafegava pelos seus trilhos. Os sinos da estação anunciavam a chegada de alegrias e reencontros; tristezas e saudades de quem partia e de quem ficava. Hoje, após tantos serviços prestados, os trens se calaram. São apenas ecos ressoando em nossas memórias, enquanto a vida caminha sem uma linha fixa...

(*) Extraído do livro Traços de Interior, de Emílio Figueira

Serviço

A Semana Emílio Figueira vai até 10 de agosto, no Gonçalez Comunidade Artística (promotor do evento). Rua Cussy Jr., 8-4. Informações: (14) 224-2215 ou 239-6542.