08 de julho de 2026
Geral

Sem escândalo nem logro

(*) N. Serra
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Recentemente, o presidente da Petrobrás acenou às esperanças nacionais com a possibilidade de os reajustes dos preços dos derivados de petróleo virem a ser processados a índices menores porque a passada administração da empresa os vinha determinando a partir de premissas errôneas. Ela fazia equações distorcidas, chegava a custos majorados e quem levava na concuruta, como leva até hoje como herança dos lapsos do passado, era e ainda o é o indefeso e, por isso, o conformado adquirente de gasolina, óleo diesel, óleo lubrificante, gás de cozinha, vale dizer, o povo praticamente no seu todo, porque hoje em dia quem não tem veículo para gastar o combustível específico tem em casa fogão aquecido a gás. Posteriormente, surgiu o ministro das Minas e Energia fazendo as mesmas colocações no tocante ao álcool hidratado e concluindo que os ganhos extraordinários da produtividade do Proálcool - jamais mencionados pela administração passada - são tão elevados e em fase de ininterrupto crescimento que o preço cobrado pelo álcool hidratado nacional poderia ser reduzido em até 50% da cotação da gasolina.

Os pronunciamentos de ambas as autoridades são de uma clarividência meridiana e, por isso, se os custos finais dos derivados do petróleo e do álcool vêm sendo elaborados erradamente, nada impede que eles venham a ser processados corretamente porque o hábito do cachimbo não pode ter entortado o queixo dos mentores... Se há erro de equação, que ele seja corrigido imediatamente, de maneira a evitar que a população continue pagando a mais pelos produtos, coisa inconcebível, até porque o governo não pode escandalizar a Nação com logro dessa natureza.

Estamos achando, portanto, que o Poder Legislativo, fiscal dos atos do Executivo, deve cobrar desde logo da Petrobras a correção dos cálculos que definem os preços da sua produção. E deve fazê-lo não só a benefício da economia pessoal e doméstica dos consumidores em geral, mas ainda como forma de contribuir para que a inflação nacional venha a cair a patamares ideais, dentro do prisma de que os reajustes trimestrais, aparentemente levantados sem critérios justos e exatos, têm sido fatores incontestáveis de aceleração inflacionária, concorrendo, ipso fato, para o desequilíbrio social a que chegou a vida da nacionalidade. Nunca é tarde para se corrigir hoje o que se fez errado ontem... É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.