08 de julho de 2026
Geral

4º Batalhão... Uma marcha que é glória

(*) Sílvio Orti
| Tempo de leitura: 4 min

1901 marca o nascimento, na cidade de São Paulo, de uma Organização Policial Militar que tinha a incumbência de zelar por todo o Interior do Estado. Com o decorrer dos anos, face à complexidade das missões, teve sua área reduzida. Em 1927, sua sede foi transferida para a cidade de Bauru. A importância desta transferência é mostrada historicamente em obras do artista Walter Mortari e por significativos espaços na imprensa da época. Bauru foi presenteada e, num primeiro momento, abrigou esta importante organização no Centro da cidade e, logo em seguida, na Vila Antártica, onde permanece até a data de hoje, embora, por questões administrativas, tenha migrado para a rua Araújo Leite.

Ali, na Vila Antártica, está a história desta gloriosa Organização. Ali, abrigou visitas ilustres, fatos históricos, solenidades inesquecíveis. Dali partiram ideais que nortearam a filosofia de segurança pública para Bauru e região. Aquele ambiente abrigou expressivas autoridades militares, promovendo o nascimento de milhares de policiais que hoje desempenham suas missões em outros quadrantes, ocupando espaços significativos na hierarquia da Corporação.

Estamos tocando neste tema pois, nesta data, há exatamente 100 anos, nascia o 4.º Batalhão. É bem verdade, nascia na cidade de São Paulo. Entretanto, todo o seu trabalho, seu desenvolvimento, se deu nesta cidade. Aqui, o 4.º Batalhão conseguiu seus maiores feitos, promovendo com vontade, com dedicação, com altruísmo a segurança para Bauru e região.

Se ousarmos apontar todos os feitos históricos realizados pelos integrantes deste Batalhão, certamente o espaço não seria suficiente. Portanto, o que queremos afirmar é que, desde seu primeiro comandante até o atual, não se desligaram os objetivos. E hoje comemoramos os 100 anos de existência deste histórico Batalhão, que brilhou e brilhará sempre, pois a busca do bem comum é uma bandeira da qual não é possível separar. Lembramos, pois, de todos os seus integrantes. Todos, sem distinção, estão de parabéns, pois de alguma forma contribuíram para a posição que hoje ostenta este histórico Batalhão.

Lembramos de Fonseca Osório, primeiro comandante. Homenageamos o atual tenente-coronel Eclair e o fazemos pela facilidade de identificação. Mas citando estes nomes estamos homenageando todos os seus integrantes, os quais não podemos olvidar, face à efetividade com que desempenharam e desempenham a nobre missão. Homenageamos o soar do apito direcionando nosso confuso trânsito. Homenageamos as mãos que retiram do útero materno um ser humano, que face à emergência não dispunha de meios para nascer em ambiente mais acolhedor. Homenageamos a mão que indica com sabedoria e firmeza o local para um pedestre confuso quanto ao seu destino.

Homenageamos a mão que raramente busca a sua arma assentada no coldre, mas quando o faz realiza com profissionalismo e cuidado pleno para garantir o bem maior do cidadão, que é a vida, pois aquele que foi ensinado a proteger a vida não se envaidece quando precisa, nos exatos ditames da lei, a retirá-la. Homenageamos a mão firme que evita a prática da ilegalidade. Homenageamos o soar da sirene que corta o silêncio da madrugada se direcionando para local onde clamam por presença urgente. Homenageamos as mãos que autuam o infrator de trânsito, que cerram as algemas no pulso do marginal, pois são as mesmas mãos que conduzem seus filhos, que acariciam o rosto triste da companheira no momento em que parte para a jornada de trabalho. Mãos que algumas vezes não retornam, deixando nos amigos e familiares dores profundas. Homenageamos as mãos que descansam na justa e merecida reserva/reforma, pois deixaram exemplos a serem seguidos. Por todos estes fatores é que ocupamos este espaço para dizer ao 4.º Batalhão de Polícia Militar parabéns. Que a mão divina permaneça estendida sobre os nossos policiais militares, conduzindo, como sempre conduziu, a comportamentos pautados na ética, na moral e nos bons costumes.

Não enaltecemos somente as qualidades: o 4.º BPMI é composto de seres humanos, homens e mulheres, portanto falíveis, mas nossas falhas nunca são acobertadas, sempre são corrigidas com o rigor de um regulamento pautado na disciplina e na hierarquia, mola mestra a conduzir os nossos destinos. Finalizando, mesmo na Reserva sou obrigado a buscar na canção do 4.º BPMI inspiração para fechar esta homenagem. E o faço ouvindo o rufar dos tambores, a vibração dos clarins, pois é o Quarto Batalhão que passa na marcha sem fim, numa marcha que é gloriosa, numa marcha que conduz, que direciona a sociedade na busca constante do bem comum. Parabéns, 4.º Batalhão; parabéns, família policial militar, parabéns, sociedade de Bauru e região.

(*) Sílvio Orti é ten. cel. da PM, vice-diretor da Associação dos Oficiais da Reserva da Polícia Militar e coordenador do Procon/Bauru-SP.