Um usuário do sistema de telefonia fixa residente em Bauru, Joel Pacheco, procurou o JC para registrar sua indignação diante de uma situação pela qual, certamente, muitas outras pessoas já passaram ou poderão passar. Ao solicitar à Telefonica a transferência de sua linha residencial para outro endereço, foi informado de que esse serviço ficará em R$ 93,42. Já a taxa de habilitação paga pela instalação de uma nova linha, sai por R$ 76,72. Ou seja, quem compra uma linha nova gasta 21,76% menos do que quem precisa somente transferí-la.
Para o reclamante, além de considerar absurdo uma transferência custar mais caro do que a habilitação de uma linha telefônica, a diferença de preço está muito grande e subindo muito rápido. Segundo informou a assessoria de imprensa da Telefonica, há um ano a taxa de transferência era de R$ 82,00. Eu vou mudar de casa dentro da mesma região em que já resido e terei que pagar R$ 93,42 para mudar a linha do meu telefone de local. Acho isso um absurdo porque se eu fosse comprar uma linha iria pagar bem mais barato. Além disso, esse preço está subindo muito rápido. Em um ano, o valor da taxa de transferência aumentou R$ 11,42. Desse jeito, não há inflação que agüente, reclama Pacheco.
Um dos motivos alegados pela assessoria de imprensa da Telefonica para a diferença de preço entre os dois tipos de serviço, seria o fato da companhia não ter repassado o último reajuste de tarifa determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a taxa de habilitação e para o valor dos pulsos das chamadas locais administradas pela Telefonica. Em nota oficial divulgada pela assessoria, em 24 de junho deste ano passou a vigorar o reajuste das tarifas de telefonia fixa, que foi de 8,7%. Usufruindo de um direito cabível às operadoras, segundo a assessoria de imprensa, a Telefonica não reajustou os dois serviços citados (pulsos e habilitação) e, por esse motivo, a diferença de preços entre a taxa de habilitação e a de transferência teria ficado maior, já que esta última foi reajustada. Na ocasião, os valores cobrados pela assinatura de serviços residenciais e não residenciais, do crédito telefônico, da ficha local, entre outros serviços, sofreram reajuste.
Questionada sobre a razão do preço da transferência ser mais alto que a taxa de habilitação, a assessoria da Telefonica informou que tratam-se de valores herdados do sistema público de telefonia. Após a privatização, a operadora teria apenas continuado a trabalhar com os valores que já eram aplicados para todos os serviços do setor de telefonia fixa.
O prazo médio para fazer a transferência de uma linha residencial é de três dias úteis. Para linhas comerciais, o prazo é de 24 horas. Porém, tudo depende das condições técnicas envolvidas na operação e da localização da central telefonica que está recebendo a alteração. Para a instalação de uma nova linha, o prazo médio é de 15 dias, também dependendo de fatores técnicos e da região da cidade, segundo a assessoria de imprensa.