10 de julho de 2026
Geral

Termelétrica afasta apagão na região

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Usina vai começar a ser construída no ano que vem, em Pederneiras. Licenciamento ambiental já foi aprovado.

Pederneiras - O diretor de desenvolvimento de projetos da Duke Energy International - Brasil, Glauco Palhoto, disse ontem, em Bauru, que a usina termelétrica de Pederneiras, que será construída pela empresa, vai ajudar a região a se livrar de possíveis apagões, blecautes, racionamentos e outros possíveis transtornos causados pela crise energética.

De acordo com Palhoto, a usina terá potência suficiente para abastecer uma cidade de 1,7 milhões de habitantes, 10% da população de São Paulo. Por ter uma usina deste porte, se houver um desligamento a região pode se manter em um sistema isolado. A confiabilidade energética vai aumentar muito, afirma.

Inicialmente prevista para este semestre, as obras da usina devem começar no início do próximo ano, após a temporada de chuvas. O motivo do atraso é a burocracia para ter o licenciamento ambiental aprovado pelo Governo do Estado. O processo, que tem três etapas, ainda está na primeira.

O investimento na usina, segundo Palhoto, será de US$ 250 milhões, e os empregos diretos podem chegar a 500 durante a fase de obras e 50 para manter o funcionamento. A energia vai ser oferecida no mercado atacadista. Com isso, empresas como montadoras de veículos podem ser atraídas a se instalar no local por ter esta opção de abastecimento. O diretor da Duke Energy disse que Pederneiras foi escolhida por questão estratégica. A área escolhida fica próxima do ribeirão dos Patos, de onde a empresa vai retirar água para refrescar as turbinas geradoras de energia. Outros motivos são as facilidades de transporte ferroviário e rodoviário da região, a proximidade de uma linha de transmissão, conectada em rede com todo o País, e a facilidade de captar gás natural do gasoduto Brasil-Bolívia, que vai passar perto da usina. A termelétrica será movida à gás natural.

Na próxima quinta-feira, dia 16, a empresa participa de uma audiência pública sobre o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). A audiência é uma exigência da Secretaria de Estado do Meio Ambiente para esclarecer a população sobre o impacto ambiental da obra.

O evento acontece no Clube Alvorada de Pederneiras, rua Duque de Caxias, Oeste-304, às 19 horas.

Impacto ambiental

O consultor de Meio Ambiente da Mineral Engenharia e Meio Ambiente, Ricardo Simonsen, que está cuidando do projeto da usina de Pederneiras, disse ontem que o impacto ambiental será mínimo.

De acordo com ele, o gás natural é muito utilizado mundialmente (22% da matriz mundial). É uma fonte de energia eficiente e segura, disse. Embora tenha a emissão de poluentes, porque isto é inerente à queima de combustíveis fósseis, a qualidade do ar vai continuar sendo boa na região, disse apontando estatísticas de emissão de poluentes de organizações reconhecidas internacionalmente.

Simonsen também afirmou que os efluentes líquidos não vão afetar os rios, assim como os resíduos sólidos não serão significativos e o nível de ruído será baixo.

De acordo com o consultor, os riscos de acidentes ficarão restritos à área interna da usina. O empreendimento é seguro. Historicamente, não existem registros de acidentes em usinas do tipo, afirmou. Se vaza, o gás natural não infiltra no solo. Como é mais leve que o ar, ele se dissipa na atmosfera, explicou.

A previsão da Duke Energy é que a usina comece a funcionar entre agosto e outubro de 2003. Segundo Palhoto, as turbinas e geradores, que vão consumir cerca de 50% do investimento, já estão comprados. As máquinas produzidas pela GE devem chegar ao Brasil em fevereiro.