Na coluna Tribuna do Leitor e na Entrelinha sempre deparo com comentários a respeito dos buracos nas ruas da cidade de Bauru e a Assessoria de Imprensa da Prefeitura defendendo com unhas e dentes a figura do sr. prefeito municipal. As críticas e defesas estampadas quase diariamente no JC me fazem lembrar de um caso contado pelo saudoso amigo Valdemiro Jorge de Mendonça, de Penápolis, no ano de 1951, quando eu era ferroviário-telegrafista da EFNOB em Urutágua, estação que ficava entre Avanhandava e Penápolis.
Todos os domingos, um grupo de pessoas fazia caminhadas longas, sendo que a cada domingo era escolhida uma cidade de destino: Penápolis a Glicério; Penápolis a Avanhandava; Penápolis a Barbosa; Penápolis a Braúna; Penápolis a Alto Alegre. A ida era à pé, mas a volta era feita de trem ou de ônibus. Nessas caminhadas dominicais, o grupo contava casos, falava de política, religião, futebol, etc. Numa dessas caminhadas, o amigo Valdemiro nos contou o seguinte caso:
Por volta de 1940, ele, Valdemiro, era o contador (guarda-livros) numa fazenda situada entre Catanduva e Taquaritinga e próxima de Santa Adélia. Nessa fazenda, o administrador era o sr. Meira (não esqueço o nome porque, em 1951, o meu chefe da 2.ª Divisão da EFNOB, aqui em Bauru, era o sr. Constantino Meira). O administrador, sr. Meira, era namorador, mas nunca se casou. Até que, namorando uma linda jovem e filha de um colono da fazenda, conseguiu tirar a castidade da namorada. Como não resolvia se casar nunca, o pai da moça resolveu chamar o sr. Meira às falas e este alegou da impossibilidade da realização do matrimônio, descartando-o de uma vez. Certo dia, o pai da jovem e mais três filhos, conhecendo o caminho que o sr. Meira fazia, prepararam uma tocaia, arrastaram o namorador para um matagal próximo e fizeram a castração nele. Um amigo que tinha automóvel o levou às pressas para a Santa Casa mais próxima. Desse dia em diante, o sr. Meira passou a ser alvo de comentários da população da fazenda e da cidade, mas ele sempre negava de ter sido castrado. Em certa ocasião, o sr. Meira, quando utilizava o sanitário foi cercado por um grupo de rapazes e obrigado a exibir o documento de que não era castrado. E não conseguindo provar o contrário, decidiu mudar-se para São Paulo.
No caso dos buracos das ruas da cidade de Bauru, basta que toda a administração da Prefeitura Municipal tape os ditos cujos que a população em geral deixará de fazer as críticas na Tribuna do Leitor do JC. Quero crer que todos nós, munícipes, gostaríamos que o Poder Executivo Municipal, responsável pelo conserto dos buracos de todas as ruas e avenidas de Bauru, matasse a cobra e mostrasse o pau. (Dorival Nogueira - RG: 1.999.229-4)