09 de julho de 2026
Geral

Olho mágico: por que pintamos?

(*) Maria A. Blasi de Toledo Piza
| Tempo de leitura: 2 min

O apelo da arte atinge a todas as pessoas, de qualquer idade e condição cultural.

A busca do belo, da harmonia é uma necessidade básica do homem, como dormir ou comer. À medida que o ser humano descobre que pode produzir coisas, passa a desenvolver as habilidades necessárias para aperfeiçoar estes produtos. O grande prazer que surge do fazer é exclusivo do ser humano. Mesmo que algumas habilidades dos animais nos encantem, vemos que o motivo final destes procedimentos instintivos é a sobrevivência. Para o homem, no entanto, a arte é um jogo. Um jogo da inteligência e da habilidade corporal.

A arte se transforma numa ocupação que permeia a vida das pessoas, tornando-se presente no núcleo da vida dos artistas e às vezes tomando-o por inteiro. Nas pessoas comuns, nunca está ausente de todo. A arte é uma porta aberta que nos permite alcançar outra dimensão do espírito humano, tão rica e larga, que é partilhada por todos os homens do mundo, tão particular que espelha a unicidade de cada artista entre os demais.

Pintamos porque a pintura é nossa linguagem, com ela manifestamos nossa visão poética da vida.

O artista sente um grande prazer em contemplar as belezas que o cercam, e sobretudo, as obras de arte feitas por outros artistas. A contemplação de obras já prontas, soluções já encontradas, descobertas inéditas traz um novo alento ao artista que está produzindo, questionando.

O pintor realiza recortes da realidade que vive em seu interior. Se vários artistas percorrerem um jardim, numa manhã de sol, e depois, alguém lhes pedir que pintem um quadro do que mais lhes chamou a atenção, vai ver com surpresa que as respostas são múltiplas: aquele que tem pintado flores, pode reproduzir uma delas, na sua individualidade. Outro que tem interesse na paisagem, pode fazer um quadro do conjunto das plantas, contra um céu azul, algumas fachadas de casas por trás. Já um terceiro, preocupado com o relacionamento de luz e sombra, pode ter-se encantado com os efeitos das ripas de um banco do jardim. Todos fizeram recortes de uma realidade, isolando-a de seu entorno e dando uma representação própria. Ninguém está pintando para recriar a natureza, mas pinta para dar corpo a uma idéia plástica que a natureza lhe sugere. É nesse momento que se cristaliza a obra de arte: quando surge filtrada pela sensibilidade e domínio técnico do artista. Entre outras considerações, podemos dizer que pintamos para fixar nossas criações mentais e podermos contemplá-las.

(*) Amelia Piza e doutoranda em Artes pela Unesp, pintora, escritora e colaboradora de Ju Machado, escritório de Arte.