Imprudência. Essa deveria ser a classificação mínima para o ato daqueles que utilizam calçados inadequados para dirigir.
Entretanto, o uso de chinelos, tamancos e sapatos com saltos exageradamente altos ao volante ultrapassa as barreiras da irresponsabilidade.
A pesquisa realizada por um psicólogo, que trabalha em uma empresa responsável pelo treinamento de motoristas, é reveladora. Ela aponta que de 3.095 alunos que se envolveram em acidentes, 491, ou 16%, tiveram como vilão o salto alto.
Os números, estes específicos sobre o salto alto, é uma pequena amostra do quão perigoso é a utilização de tais calçados.
É impossível levantar a quantidade de ocorrências provocadas pelo seu uso inapropriado. A dificuldade é decorrente do fato de muitas pessoas, ao se envolverem em acidentes, não se darem conta - ou até mesmo omitirem - que a causa principal tenha sido o seu sapato.
Mesmo assim, é bem provável que alguma vida já tenha sido ceifada em virtude da imprudência de um motorista que calçou um chinelo ou um salto alto, contribuindo para a terrível estatística de que o trânsito brasileiro mata, anualmente, mais do que uma guerra do Vietnã.
Apesar do Código Nacional de Trânsito estipular uma multa de 80 Ufirs e a colocação de quatro pontos nos prontuários para quem comete tal infração, o problema ainda está longe de um final feliz.
O caminho para amenizá-lo, visto que a possibilidade de sua solução beira a utopia, passa pela conscientização de cada motorista.
Por isso, antes de entrar em qualquer veículo, é bom ter em mente que respeitar as leis de trânsito significa evitar mortes.