De aproximadamente 80 empresas que responderam um questionário elaborado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que pedia uma avaliação sobre os dois primeiros meses do racionamento energético, 62% atingiram a meta de consumo de eletricidade estipulada pelo governo e 38% não conseguiram alcançar a redução determinada, que para a maioria das indústrias é de 20%. A informação é do empresário João Maringoni, da indústria de preservação de madeira M.V. Maringoni e conselheiro do Ciesp-Bauru. Ele participou de uma reunião realizada ontem, na qual estiveram presentes cerca de 50 empresários locais, diretores do Ciesp e representantes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
Além da dificuldade de diminuir o consumo de energia elétrica para muitas indústrias, em função do plano de racionamento, 41% delas tiveram queda na produção. Segundo Maringoni, entre as reivindicações que foram feitas pelos empresários à CPFL, ontem, uma das principais é que ao longo do plano sejam transferidos os meses utilizados para calcular a média de consumo (que foi fixada em maio, junho e julho do ano 2000), de acordo com os setores de atuação das indústrias.
O grande problema atual seriam as chuvas, já que o nível dos reservatórios está baixo, em torno de 26% da capacidade total, e o racionamento está dependendo muito disso. As chuvas são sazonais, bem como as épocas de produção total das indústrias. Um fabricante de cadernos e agendas, por exemplo, entra com força total no final do ano; fábricas de ar-condicionado aumentam a produção a partir do segundo semestre. Então, é complicado para o setor ter a meta de consumo definida a partir de uma média fixa, em maio, junho e julho de 2000. Diante disso, solicitamos um estudo sobre a possibilidade de migrar esse trimestre de média, que seria muito mais coerente para o setor industrial, analisa Maringoni.
Para as indústrias que não estão conseguindo atingir a meta de consumo determinada, a resolução da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) prevê uma opção que pode ser a saída para muitos empresários. Dentro do mesmo segmento, as empresas podem negociar excedentes de energia através de leilões ou de contratos bilaterais. Um exemplo hipotético é o de duas indústrias que possuem a mesma meta de consumo, de 100 kWh. Num determinado mês, uma delas consumiu 80 kWh e, a outra, 120 kWh. A que excedeu sua meta pode vender energia à outra, de forma que ambas fiquem dentro da meta.
Outra solicitação feita aos representantes da CPFL que estiveram na reunião de ontem foi a reativação do escritório de atendimento da empresa em Bauru. Segundo Maringoni, a centralização em Campinas, pelo 0800-101010, estaria prejudicando os empresários. Quando nós precisamos de alguma orientação relacionada à área técnica, somos atendidos por uma telefonista que não está apta a fornecer um posicionamento. É muito difícil solucionar as nossas questões técnicas através do 0800, observa. Diante disso, os empresários assinaram um documento solicitando à CPFL que o escritório de Bauru volte a ter autonomia de atendimento, pelo menos na área técnica. Segundo Maringoni, os representantes da concessionária de energia se propuseram a fazer um estudo sobre essa solicitação.
Um dos avanços conseguidos durante a reunião, segundo Maringoni, foi a definição de que, a partir de setembro, serão feitas reuniões mensais entre Ciesp e CPFL para que os empresários apresentem as suas dificuldades, sugestões e tirem dúvidas sobre o plano de racionamento. A primeira já está marcada para setembro.
Solicitações irão à GCE
O gerente de Serviços de Campo da regional da CPFL em Bauru, Wilson Maldonado Júnior, que participou da reunião de ontem, disse que a concessionária encaminhará à GCE todas as solicitações feitas pelos empresários para tentar solucionar os problemas mais urgentes. O destaque será para o pedido de migrar os meses em que se baseiam os cálculos para definir a meta de consumo das indústrias. Ele fez uma avaliação positiva do encontro e ressaltou que as reuniões mensais, que já estão programadas, serão muito importantes para ambas as partes.
O gerente ressaltou o empenho do setor, e também dos consumidores residenciais, em cumprir as metas de consumo definidas e colaborar para o plano de racionamento energético. Na área de concessão da CPFL, estamos com uma economia média em torno de 25%. Esse índice é muito satisfatório, bem como, separadamente, a quantidade de indústrias que atingiram a meta. As reuniões mensais serão muito importantes e tentaremos negociar tudo o que for possível junto à GCE, afirma Maldonado Júnior.
Em relação aos cortes de energia elétrica, o gerente informou que ainda não há nenhuma definição sobre quando começarão a ser realizados.