Ação movida por Paulo Maluf não preocupa governador, que ficaria preocupado se o ex-prefeito de SP o elogiasse.
O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), nega que está em plena campanha eleitoral, mas o tom de seu discurso derruba o esforço que faz para provar o contrário. Ontem, em Ibitinga, Alckmin atacou de forma direta e indireta o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), virtual candidato a governador nas eleições do ano que vem.
Além dos deputados estaduais Pedro Tobias (PSDB), Duarte Nogueira (PSDB), Geraldo Vinholi (PDT) e Dimas Ramalho (PPS), vários prefeitos e vereadores da região prestigiaram a visita de Alckimin.
Cerca de 300 pessoas resistiram a um calor escaldante para ouvir o discurso do governador, que foi a Ibitinga anunciar liberação de verbas. Sem citar nomes, ele criticou as manobras que gente rica faz para escapar da Justiça. Gente rica quando deve vai para Paris. Já gente pobre quando deve não dorme à noite, disse, ao informar que a cidade terá uma agência do Banco do Povo voltado ao fomento de negócios de pequenos empreendedores.
A declaração, no entanto, feita no palanque, é uma indireta a Maluf, que está há mais de um mês em Paris e deveria ter comparecido nesta semana a uma convocação da Justiça, em São Paulo. As críticas de Alckmin endereçadas ao ex-prefeito paulistano não pararam.
Durante entrevista coletiva, o governador foi questionado sobre o que acha da ação movida por Maluf contra ele por injúria e difamação, rescaldo da troca de farpas entre os dois registradas na campanha eleitoral do ano passado, na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Eu estou tranqüilo. O dia em que o Paulo Maluf me elogiar, aí eu fico preocupado, respondeu.
Trabalhar bastante
Alckmin rebateu as críticas feitas pela oposição, que denuncia que o governador utiliza a máquina administrativa para fazer campanha com vistas as eleições do próximo ano. Ele diz que ainda tem dúvidas de que poderá disputar a reeleição em 2002, resposta que será dada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O governador assumiu o cargo na seqüência do segundo mandato de Mário Covas, morto no início deste ano. Essa não é uma preocupação que eu tenho (sobre a eleição de 2002). A preocupação que eu tenho é governar bem. Cumprir o programa de governo e agregar novos projetos. Não sei nem se eu posso ser candidato. Isso dependerá do TSE. A eleição será em 2002. Agora é hora de trabalhar. Crise em São Paulo se responde com trabalho.
Sobre as acusações dos oposicionistas do uso da máquina administrativa para fazer campanha, Alckmin diz que está trabalhando. Aliás, esse é o caminho. Gosto de acordar cedo, dormir tarde e trabalhar bastante. E aprendi duas coisas: quanto mais junto da população a gente está, as chances de errar são menores. A pior coisa que pode acontecer a um governo é ficar em gabinete. Isso é decisão tecnocrática. A gente erra menos quando se governa junto.