Delegado há 38 anos, José Jorge Cardia, titular da DIG/Garra, diz que é a favor da unificação das polícias, desde que seja a longo prazo, depois de um trabalho de aproximação, como este que vem sendo feito. Ele defende um momento certo para unificar. Hoje ou a curto prazo, sou contra porque há um antagonismo entre os policiais Civis e Militares.
Cardia lembra que há 38 anos quando ingressou na Civil já haviam rumores da unificação. De quando em quando, surge este assunto.
Para ele, a unificação tornaria o serviço policial mais ágil, econômico e eficaz. O atendimento ao público seria mais ágil, eficiente e menos dispendiosa para o Estado. Hoje as ocorrências são comunicadas mais rapidamente para a Militar que tem mais viaturas e policiais na rua.
Após a constatação do crime, no caso de um homicídio por exemplo, aciona-se o delegado, a polícia Técnica, o Instituto Médico Legal e o carro de cadáveres. No caso de ser uma polícia só, era uma equipe que se deslocaria para o local do crime.
Ele lembra que o policial civil, no caso o delegado, é a autoridade policial e os militares, agentes da autoridade, conforme previsto no Código de Processo Penal.
O delegado ressalta o aspecto cultural do povo. É cultural ter duas policias. Os policiais têm culturas diferentes. Se a unificação ocorresse hoje, muitos policiais civis se aposentariam.
No Estado
A integração das duas polícias é uma realidade no Estado de São Paulo, garante o comandante geral da PM, coronel Rui César Mello. A integração já vem ocorrendo, as polícias obedecem um comando único que é o secretário de Estado da Segurança Pública que representa o poder civil.
Na opinião do coronel, o trabalho de integração vem sendo acirrado cada vez mais com a equalização de áreas para as polícias. Com o sistema de metas estabelecidos, com um sistema de responsabilização solidária para ambos os chefes de polícia, com avaliações de desempenho pelo próprio secretário de Segurança Pública.
O resultado, na avaliação do comandante é que o trabalho conjunto resultou inclusive na queda de alguns crimes. O homicídio, por exemplo, vem caindo em todo o Estado de São Paulo. O índice de roubo e furto de veículo e roubo em geral, também. O único índice que não conseguimos baixar foi o de furto.