08 de julho de 2026
Geral

Ainda espero, ainda quero, ainda amo!

Bruna
| Tempo de leitura: 3 min

Em novembro de 2000, precisamente no dia 15, minha mãe ligou para o Tadeu para conversar com ele e tentar entender a tempestade que caía sobre nossas cabeças. O sofrimento da distância, do desprezo, da indiferença, da renúncia estavam me reduzindo a pó, estavam acabando com aquela moça doce e meiga, cheia de planos e sonhos para o futuro.

Naquela tarde, ele mandou me dizer que me adorava, que não tinha palavras para dizer o quanto ele gostava de mim, mas já não era possível continuar comigo.

Estas palavras entraram feito lanças afiadas estilhaçando o meu peito. Sofri as conseqüências de me entregar ao amor feito um cão.

Aquele homem maravilhoso, doce, meigo, inteligente, lindo, cheio de planos, sonhos e com muita vontade de ser feliz, como ele dizia, quase nos seus 40 anos de vida, experiente, teve a capacidade de me seduzir, de me fazer apaixonar, acreditar em todas aquelas mentiras e depois me chutar como se eu fosse um cachorro morto.

Eu acreditava que com o tempo ele perceberia que só a mim caberia amá-lo, respeitá-lo e entender a situação turbulenta que passava a sua vida. Recém-separado e com uma filha linda que não tinha a obrigação de entender nada do que eu estava passando, aliás ela nem sabia da minha existência, mas eu a culpava. Hoje sei que o único culpado de tudo é a insensibilidade aos sentimentos alheios do Tadeu. Ele não se importou nem um pouco em me conquistar, mesmo sabendo que depois me faria sofrer. A minha dor era indiferente, tanto que pouco tempo depois já se envolveu com outra pessoa e fez questão de trazê-la para esfregar na minha cara.

Sou tão infeliz, não consigo refazer a minha vida, gostaria que ele morresse, seria menos dolorido do que vê-lo todos os finais de semana na minha cidade nas festas dos nossos amigos nos braços daquela mulher.

Uma pessoa falsa, antipática, que não faz o mínimo esforço para ser simpática com os amigos dele.

Os amigos dele daqui não gostam dela. Outro dia tive que inventar uma história para ele, porque uma amiga nossa não queria que ele ficasse na casa dela por causa da presença dela. Eles a suportam por ele.

Dia 21/07 foi o meu aniversário e ele nem sequer lembrou. O presente que ele disse que comprou no ano passado ele deve ter dado para aquela mulher, por que eu nunca senti nem o cheiro. E ele disse que eu iria adorar. Adorei mesmo, todo aquele desprezo. Falso, mentiroso. Mas o amo com toda a minha alma e seria capaz de fazer tudo de novo para viver este amor.

Estamos sempre nos mesmos lugares, nas mesmas festas, e quando nos cumprimentamos nosso aperto de mão parece ser desejado, feito em câmera lenta. Neste instante, há uma grandeza de saudade e o silêncio fala, um para o outro. Quando há necessidade de tocarmos face com face, o chão some dos meus pés.

Acredito que ele goste de mim. As lembranças são muito fortes, se repetem em minha mente como uma tela de cinema que exibe um filme antigo. Ainda sinto seu perfume, o cheiro do chiclete misturado com a maciez dos seus lábios que parecem ser desenhados.

Sem jeito, procuro não encarar aqueles olhos que falam tanto. Me lembro do seu jeito carinhoso de me chamar de amor. Jamais vou me livrar dessas lembranças, essa saudade que me dói na alma e reflete dos meus olhos. Saudade que se percebe nos olhos e reflete nos lábios, lábios esses que um dia ele beijou.

Ainda choro essa saudade na esperança de novamente o tempo parar e se resumir em mim e ele, em um só ser.

De sermos novamente aquele casal que éramos. O casal que todos gostavam de ter por perto, de ver juntos e que de tão perfeitas fazia inveja aos próprios deuses.

Ainda espero...

Bruna