As próximas eleições para a Presidência da República e Congresso Nacional serão decisivas para a definição dos rumos do País nas próximas décadas. Em 1986, com a Constituinte, as eleições realizaram-se sob a definitiva superação do autoritarismo e a transição para um regime constitucional. Em 1989 e 1990, deram-se sob a emoção das liberdades conquistadas e a crença em um salvador da pátria. Em 1994, o entusiasmo da vitória sobre a inflação prevaleceu. E em 1998, o eleitorado decidiu por garantir a estabilidade como um bem indispensável. Diferentemente das anteriores, as eleições de 2002 dar-se-ão sob a égide da discussão de um projeto nacional, a definição do País que queremos e dos caminhos que deveremos trilhar para alcançá-lo a médio e longo prazo.
Estão enganados os que pensam que personalidades, imagens ou carismas possam, apenas por si, conquistar os corações e as mentes das pessoas. Agora, o que vale são propostas realistas, consistentes, viáveis e que apontem para a construção de um futuro melhor. As próximas eleições vão requerer candidatos equilibrados, organização partidária e alianças que tenham compromissos claros com programas imediatos e projetos e objetivos estratégicos. Concretamente, somente duas forças políticas têm condições e liderança para se qualificar a estas eleições e apresentar projetos apoiados em forças sociais e partidárias consistentes.
De um lado, a oposição tradicional, ainda presa a dogmas e compromissos com o passado: o Estado todo poderoso que tudo resolve, o voluntarismo, o corporativismo imobilizador, o partidarismo que se sobrepõe à sociedade e, em nome dela, emitem sentenças dentro de uma visão tacanha da democracia como tática política apenas. Tudo envolto em um discurso moralista que não vai às raízes sociais, políticas e culturais da corrupção. De outro lado, o projeto iniciado pelas forças que atualmente governam o País, até agora limitado pela falta de hegemonia de um agrupamento claramente reformista, obrigado à composição com forças conservadoras que, não poucas vezes, se aliaram às oposições para barrar transformações mais avançadas. O mesmo projeto que terá que deixar claro o livre jogo das forças de mercado, submetido, porém, aos interesses da sociedade e por isso mesmo, regulado por regras claras e estáveis emanadas pelo Estado. Enfim, um projeto com hegemonia social democrata capaz de ser apoiado por amplo arco de forças políticas e sociais, em condições de construir uma maioria estável no Congresso Nacional. A democracia é e será a referência estratégica deste projeto e a vitória sobre a corrupção será resultante das reformas no Estado, na sociedade e fruto das transformações culturais na sociedade brasileira.
(*) Alberto Goldman é deputado federal pelo PSDB-SP.