11 de julho de 2026
Geral

O acúmulo de água e esgoto no Jardim Flórida formou poça de 3 metros de extensão, na qual pode-se ver milhares de larvas do inseto se movimentando.

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do Jardim Nova Flórida estão reclamando da quantidade de pernilongos que procriam na água parada.

O entupimento de três bocas-de-lobo localizadas na rua Eduardo Resta, no Jardim Nova Flórida, está tirando o sono, literalmente, dos moradores das redondezas. É que o acúmulo de água e esgoto no local tem facilitado a procriação de pernilongos, que à noite invadem as residências do bairro.

É um terror. Se não fechar a porta durante o dia, entram nuvens de pernilongos. Depois, ninguém consegue dormir à noite, afirma, sem exagero, a dona de casa Ana Paula Felix da Silva, cujo quintal da residência fica atrás dos bueiros.

O JC nos Bairros foi conferir o problema in loco e constatou o entupimento dos bueiros, cuja água que deveria ser escoada se acumula na rua, formando poça de três metros de extensão.

Aproximando-se da poça dágua é possível ver milhares de larvas do mosquito se movimentando. De longe, no entanto, a quantidade exagerada de larvas dá a impressão de ser musgo.

Amostras da água com as larvas foram coletadas e analisadas pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC), ligado à Secretaria Municipal de Saúde. No larvário do órgão, agentes de saúde constataram que as larvas são do mosquito Culex, eliminando a possibilidade de criação de mosquitos Aedes aegypti, transmissor da dengue.

O Culex não transmite doenças, mas traz incômodo, em razão da fêmea do mosquito necessitar do sangue humano para maturar seus ovos. Por isso, ela passa a sua vida picando pessoas, explica o agente de saneamento Flávio Tadeu Salvador, coordenador do Programa de Aedes aegypti do DSC.

Uma fêmea do Culex põe, em média, de 200 a 400 ovos, em locais diferentes para garantir a sobrevivência da espécie. Até se transformar em mosquito, o ovo leva dez dias. O inseto pode viver de 30 a 40 dias. Durante esse período, os machos sobrevivem de néctar e seiva de plantas e as fêmeas, em sua maioria, acabam utilizando os componentes do sangue como alimento.

Na opinião de Salvador, a única maneira de solucionar o problema é evitar o acúmulo de água parada. De acordo com os moradores, a Regional Mary Dota da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) já foi chamada diversas vezes para desentupir os bueiros, em dois anos da existência do problema.

Os funcionários desentupiram uma vez, mas o problema volta rapidamente. Segundo eles, enquanto a tubulação como um todo não for consertada, o problema persistirá, porque não está centralizado nos bueiros, sustenta Ana Paula.

Andréia Carla de Assis, moradora da rua Eduardo Resta, diz que, além dos mosquitos, a água parada exala mau cheiro e coloca em risco a saúde das pessoas, principalmente das crianças. Temos que ficar com a casa fechada se quisermos tranqüilidade.

O filho de Ana Paula é uma das vítimas do problema. Alérgico a picadas, o bebê está tomando medicamentos para controlar as coceiras provocadas pelas picadas dos insetos. Ele é muito pequeno para tomar tanto medicamento e não pode ficar exposto a inseticidas. Queremos uma solução definitiva para o problema, conclui a moradora.