Queridas colegas, companheiras de grandes jornadas. Juntas mediamos, facilitamos, socializamos e tentamos aproximar cada vez mais o conhecimento científico, social, o saber popular mais perto de nossos preciosos alunos, em nossas escolas municipais de Bauru. Bem sei o quanto somos necessárias e importantes nesta caminhada, pois meninos e meninas ficam à nossa espera todos os dias para que, com a capacidade e responsabilidade de educadores, educadoras que somos, chegar cada vez mais perto da realidade de meninos e meninas que têm tantas esperanças de compreender significados, harmonizando, assim, a vida, o grupo, gerando autores do seu próprio conhecimento e mostrando nesta árdua tarefa do dia-a-dia de educador, que meninos(as) estão sempre aprendendo a aprender, buscando a pesquisa, o estudo da totalidade partindo da totalidade. Sei que é trabalhoso, mas estão em excelentes mãos. Nós, educadores desta Rede Municipal de Pré-Escola de Bauru.
Ah! Companheiras, jamais vai existir profissão tão nobre e que ao mesmo tempo traz tanta Alegria na Escola (Snyders.G.). É uma honra fazer parte deste quadro de funcionários, este grande grupo que tem nas mãos o poder de mudar o rumo das coisas no mundo, mudar a vida um pouquinho só para melhor, mostrar a realidade, mesmo que não seja muito bonita, mas que dê esperanças a garotos(as) para um futuro melhor. Um dia, ainda muito pequena, me vi com um lápis quebrado e sem ponta e disse à minha avó: vou ser pefessora. Ela riu.... E hoje aqui estou, dividindo com vocês este sonho. E sei que somos responsáveis por mostrar um caminho de luta e esperança para nossas crianças, porque foi dos bancos escolares que saíram muitos homens de poder que temos hoje, dirigentes deste País. Não que nossas companheiras sejam culpadas do caos em que se encontra nossa cidade, nosso País, mas talvez elas não tiveram acesso ao conhecimento nos anos passados que temos hoje. Para ressaltar, Paulo Freire, Madalene Freire, Juliana Davini, Fritjof Capra, Pierre Wall, Marilena Chauí, Piaget, Vygotsvy, Libâneo, Saviani, Vasconcellos, Maria Lúcia Lemme Weiss, Delhero, Waldorf, Wallon, Ferrero... E também não viveram na mesma época que nós, onde o grande boom do conhecimento, do social, da tecnologia e da natureza está acontecendo. Há necessidade da união do grupo, é necessário trabalhá-lo, conhecê-lo e valorizá-lo ao máximo. Chegou a hora, é o momento.
Estou pensando como nossos meninos, ainda tão pequenos, às vezes não compreendem certas coisas. E às vezes é nossa obrigação mostrar de maneira simples que o mundo não é fragmentado (universo) e mais tarde compreender esta idade não imediatista. Eu sei que devemos refletir - e refletimos todos os dias - que o homem está em tudo e que educar é fazer crescer, aumentar, criar, sustentar, instruir, ensinar, mediar, facilitar, gerar! Que coisa extraordinária, que peça importante somos nesse todo (Universo). Não devemos omitir a verdade aos nossos meninos, temos que devolver a eles o que é de direito, educação verdadeira e séria. Talvez tenhamos meninos(as), filhos de companheiros servidores e para eles (crianças) é difícil compreender por que não nos juntamos todos na luta, quando o lema em sala de aula é o grupo, aprender juntos. Talvez é de pequeno que eles compreenderão melhor o justo, e no futuro poderão viver com mais dignidade, porque enganamos nossos pequenos. Aquela escola colorida e cheia de brinquedos pedagógicos, na maioria das vezes comprados com o dinheiro que eles mesmos colaboram todo mês espontaneamente, é bem diferente da maioria das casas de garotos(as) dos nossos bairros, porque fazemos os bancos das escolas serem tão diferentes que os bancos que sentam em suas casas.
Em 15 dias de mobilização com 1.300 funcionários companheiros, levantando às 5 da manhã e indo descansar às 11 da noite, aprendemos muito, todos juntos, que nada me fará esquecer o brilho dos olhos de cada companheiro, a fala chorosa e honrada de homens e mulheres que servem esta cidade que apesar da dificuldade e perseguição ficaram firmes na luta. Nossos companheiros lembraram e perguntaram: e as meninas da Educação? Que pena não estarem aqui, iam nos ajudar bastante, pois, diziam, com seus conhecimentos, nossa!... Todos nós sentimos a falta de vocês, companheiras, nesta mobilização que para nós, servidores, foi histórica (leiam e reflitam bem o nosso jornal da categoria, ele é seu instrumento, seu elo de ligação com seus direitos). Família, sociedade, igreja, governantes, todos somos responsáveis pelo que está acontecendo hoje em nosso País. É mal administrado e, em conseqüência, as cidades também. Homens que por muitos anos estiveram sentados em bancos escolares e à frente um professor como nós.
O que será que aconteceu? Às vezes eu entendo, outras fico confusa. Queremos para os meninos(as) autonomia, criatividade, participação, compreensão de grupo, de coletividade, respeito aos colegas, responsabilidade com o outro, assim profissionais da educação que sejam empreendedores, lutadores por um estatuto melhor, salário melhor, mais valorizado perante a sociedade, como já fomos um dia, autores dos seus saberes, formadores de opinião e com criticidade, pesquisadores da arte de viver em harmonia com o grande grupo, responsáveis pelo conhecimento, pela busca incessante de compreensão do mundo, do universo. Que escola oferecemos a eles, meninos(as), a de mentirinha que querem que façamos? Acho que a de verdade, que somos capazes de organizar e colocá-la em prática. A realidade fora dos bancos escolares, para muitos alunos nós sabemos como é, e por que será que não nos juntamos ao lado de pais, mães, companheiros trabalhadores de tanta importância para o nosso município, como nós mesmos, lutando pelo nosso plano de saúde melhor, salário, condições dignas de trabalho, reivindicações feitas por trabalhadores em assembléia soberana e legítima, pais e mães servidoras de meninos(as) que conhecemos muito bem melhor do que ninguém.
Respeitosas colegas, eu convido-as a juntarem-se a nós, este grande grupo de estimável valor que são os servidores do DAE, Regionais, usina, coleta, postos de saúde, zoológico e outros, que estando em alerta esperamos contar também com a companhia de vocês. Com certeza os benefícios serão para todos, e que companheiras professoras e esposos os merecem com louvor. Oh! Somos um grupo. Não é assim que está nos livros, nos cursos que pagamos até para fazê-los com sacrifício para melhorar nosso saber? Ah! Eu sei o quanto nós somos batalhadoras e merecedoras do respeito e carinho de toda sociedade! (Maria de L. Paula - RG: 8.760.043)