Toda vez que um político recebe vaias em suas aparições públicas e, principalmente, onde está ocorrendo uma grande concentração de pessoas, uma variada quantidade de justificativas surge para abafar o ocorrido. Surgem sempre as aves de agouro, alertando ser falta de educação do povo vaiar uma autoridade constituída, mesmo quando ela insiste em continuar metendo os pés pelas mãos. Surgem os eternos puxa-sacos, buscando tapar o sol com a peneira, dizendo serem provenientes dos eternos grupelhos de opositores, que introduzidos na turba, insuflam os menos esclarecidos. Surgem os que procuram desviar a atenção para outro fato, desprezando o ocorrido e não dando a devida importância, só notando-o quando o castelo está praticamente desmoronado. Poucos são aqueles, que ao lado desse político, sentem nessas vaias um termômetro de como o povo está avaliando a atuação dessa equipe. Quando um político começa a ficar cada vez mais incomodado em aparecer publicamente, principalmente em grandes concentrações, será que não passa na cabeça do mesmo que algo deve não estar indo muito bem no interior do reino? Quando esse mesmo político começa a fazer avaliações prévias de onde deve ou não comparecer, para não ter que enfrentar a massa, indo somente nos lugares de riscos mínimos, onde seus asseclas dominem o ambiente, não seria um sinal de que algo está errado? E quando esse mesmo político resolve encomendar uma pesquisa de opinião para saber o que o povo está pensando dele, será que ele já não tem certeza de que o caminho trilhado não é o que o povo queria? Uma boa vaia de vez em quando é um ótimo sensor para chacoalhar o ego, servindo também para redirecionar o caminho. Talvez até um parar para reflexão e um começar de novo. A unanimidade, como sabemos, é burra; e a falta de um desconfiômetro, também o é. (Henrique Perazzi de Aquino - RG: 9.710.205)