07 de julho de 2026
Geral

BANDEIRA

Luís Paulo C. Domingues
| Tempo de leitura: 2 min

Pedirei para a rainha da Inglaterra me incorporar a seu séquito de adulações. Ela pode me enfiar em qualquer guarda ou nobreza da Irlanda do Norte. Ela pode me inserir nos palácios da Escócia. Pode até me tornar um mordomo de algum nobre decadente do país de Gales. Mas eu não admito que ela me mande de volta ao Brasil. Brasil, não! Eu prefiro a Argentina, mesmo com crise. Eu prefiro o tango ao samba. Pra começar, eu nasci no lugar errado. Eu adoro castelos, desde criança. E por aqui, o único pseudo castelo que existe é em Pederneiras e era usado para fazer filmes pornôs. Que coisa! Eu quero que a rainha me aceite como súdito. Eu adoro aquela bandeira. Bandeira que tem cor vermelha é bandeira de país que luta por alguma coisa. A bandeira do Brasil não tem vermelho. Só tem cores que falam da maravilha que é ser brasileiro. É uma bandeira positivista. E o mais engraçado é que eles (os ingleses) são positivistas, mas nós assumimos o ônus de não protestar, pois são eles que protestam, mesmo sem ter um porquê, e nós não.Pensemos na França. A bandeira é azul, branca e vermelha. A liberdade é azul, a igualdade é branca e a fraternidade é vermelha. Na teoria, é óbvio, não funciona tanto. Mas se o Brasil tivesse em sua bandeira ao menos uma faixa, ao menos um ponto vermelho... tudo mudaria. Veja o exemplo da China. Ou de 70 anos de União Soviética. Veja os próprios Estados Unidos. É claro que eles copiaram sua bandeira da bandeira da França, por causa do iluminismo, da liberdade e da igualdade e da fraternidade que nunca existiram. A maior contribuição dos Estados Unidos para o mundo foi o rock, e mesmo assim, os ingleses fizeram melhor.E o Brasil? Verde, amarelo, azul e branco. Cores que significam riquezas que não temos. O mais engraçado é a frase: Ordem e Progresso; as duas únicas coisas que não existem aqui. Não há ordem e nem progresso no Brasil. Precisamos de uma bandeira vermelha, com uma estrela amarela, mas isto não tem nada a ver com comunismo; eu sou contra. Precisamos de uma bandeira que nos lembre do vermelho, ou seja, que temos sangue, que queremos algo, não importa o que for preciso fazer. Caramba! Eu descobri! O problema do Brasil não é o ACM e nem o Jader Barbalho! O problema é a bandeira, que não tem a cor do sangue. Outro dia eu falei com um senhor que foi para Moscou, na Rússia. Ele disse que os monumentos e palácios são lindos, mas é difícil olhar para aquilo tudo sabendo que cada pedra foi construída com o sangue de um russo. Nós não estamos preparados para isto. Nós somos Flamengo, Corinthians e Palmeiras. Nós somos Mangueira, Salgueiro ou Viradouro. Não estamos preparados para sangrar por cada pedra que seja colocada no metrô de São Paulo.

(Luís Paulo C. Domingues)