08 de julho de 2026
Geral

Homem mata irmã e enterra em casa

(*) Renata Fernandes
| Tempo de leitura: 3 min

Restos da vítima foram encontrados na última terça-feira, após quatro anos. Briga teria causado o assassinato

Araraquara - O desempregado Manoel Gonçalves Filho, 66 anos, confessou à família, na última terça-feira, ter matado com uma paulada, sua irmã, Maria de Lourdes Gonçalves. O assassinato aconteceu há aproximadamente quatro anos. Gonçalves enterrou a irmã dentro de casa, no quarto onde ela dormia.

Na época do crime, Maria de Lourdes deveria ter 60 anos. O assassinato aconteceu na rua Domingos de Medeiros, na Vila Xavier, em Araraquara.

De acordo com o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Jesus de Nazaré Romão, o crime, considerado hediondo, foi descoberto porque a família de Gonçalves veio procurar por Maria de Lourdes e não a encontrou.

Segundo depoimento do desempregado, a família é de São Paulo e veio visitar Maria de Lourdes pela primeira vez, depois de quatro anos, na semana passada. Quando a família voltou a procurá-la, hoje (na terça), ele confessou tê-la matado, disse o delegado.

Gonçalves contou à reportagem que chegou em casa embriagado, sua irmã o perturbou com queixas sobre o fato e por isso ele lhe deu uma paulada na cabeça. Cheguei bêbado. Ela ficou me enchendo, peguei o primeiro pau que vi na frente e bati na cabeça dela. Não queria matar, mas estava muito bêbado, relatou.

Ocultação de cadáver

Gonçalves disse que no dia seguinte ao assassinato, embrulhou o corpo da irmã em um saco preto, quebrou cerca de 30 centímetros de piso de concreto, cavou mais aproximadamente 40 centímetros e o enterrou no canto da parede do quarto.

Sob o cadáver, ele recolocou o entulho e para esconder o buraco pôs um estrado com colchão e cobertor por cima.

A polícia encontrou a ossada de Maria de Lourdes por volta das 15 horas do último dia 14. Segundo Romão, não se pode afirmar a data exata do crime e nem se os ossos são realmente da irmã. Apesar da confissão, os ossos estão no necrotério de São Carlos para serem analisados.

O desempregado disse que nesses quatro anos em que a irmã ficou desaparecida, quando os vizinhos perguntavam por ela, ele dizia que ela estava em São Paulo. Depois de dois meses que aconteceu esta história, peguei uma doença na perna e não bebi e nem sai mais de casa, comentou.

A sobrinha de Gonçalves, Suzete Mancini Carlos, 52 anos, disse que a família não procurou por Maria de Lourdes nesse período devido a problemas de saúde. Meu avô (pai do desempregado) teve câncer e morreu. Em seguida, minha avó também esteve doente. Não nos preocupamos. Agora que ficamos sabendo de toda esta história, fizemos o certo e o entregamos a polícia, falou.

Gonçalves é acusado de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O delegado da DIG pediu a prisão temporária, para o desempregado. Após concluir o inquérito, poderá pedirá a prisão preventiva. Não há como saber qual será a pena que ele terá que cumprir, dependerá do juiz, comentou Romão.

A lei ameniza a pena de crimes cometidos por pessoas apenas a partir dos 70 anos.

(*)Especial para o JC