08 de julho de 2026
Geral

Deficiente ganha espaço na sociedade

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Preconceito vai para segundo plano e portadores de deficiências comemoram avanços tecnológicos e sociais

O final da década de 90 e o início deste século vão ficar marcados na história dos portadores de deficiência física e mental. É que neste período houve um significativo avanço tecnológico e social, que está apontando para um caminho mais digno e igualitário para essas pessoas.

As mudanças começaram a acontecer com mais intensidade a partir do ano de 1995, de acordo com o coordenador geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Bauru (Comude), Francisco Takao Kajino. Foi nessa época que a tecnologia começou a dar sua contribuição para facilitar o convívio dos portadores de deficiência na sociedade. A evolução da informática foi fundamental para ajudar neste avanço de conceitos em relação ao deficiente, ressaltou.

O quadro está muito mais positivo do que há dez anos. Mas, ainda não há motivo para comemoração, de acordo com o empresário João Carlos de Almeida, presidente do Conselho da Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri). Ele explicou que, no Brasil, ainda existe uma lacuna a ser preenchida para que a integração do portador de deficiência à sociedade atinja níveis satisfatórios.

Para a fisioterapeuta Fernanda Raquel Cantelmo Luz, sócia da escola Movimente Reabilitação Física e Social - uma das únicas entidades particulares da cidade desse setor -, os avanços ocorridos no tratamento dado ao deficiente físico ou mental está partindo da própria sociedade. As pessoas passaram a valorizar mais a capacidade dos portadores de deficiência, ao invés de ficar ressaltando apenas os seus problemas, disse. Segundo ela, todo o mundo tem uma habilidade para determinada área. O mesmo ocorre com os deficientes. Dessa forma, se forem estimuladas de forma correta, essas pessoas conseguirão desenvolver atividades muito importantes para a sua comunidade. É o que ocorre com qualquer um de nós. Cada pessoa tem mais facilidade para lidar com determinadas atividades e investe nisso para crescer e desenvolver uma profissão, comparou.

Ela explicou que os deficientes físicos e mentais estão com a auto-estima mais apurada e se sentem mais valorizados atualmente. É muito importante que haja uma interatividade. Ou seja, sociedade e deficientes têm que se adaptar entre si, salientou.

Leis

Em 1989, foi criada uma lei que tinha por objetivo obrigar as empresas a destinar uma porcentagem das suas vagas de trabalho para pessoas portadoras de deficiência física ou mental. Parecia um grande avanço na época. Mas, a determinação levou dez anos para ser regulamentada e entrar em vigor. Só em 1999 as portas se abriram para a entrada dos deficientes no mercado de trabalho oficialmente.

Apesar disso, apenas 2% das vagas são ocupadas por pessoas portadoras de deficiência no Brasil, segundo informou João Carlos Almeida. Isso se deve à falta de capacitação de mão-de-obra. A escola deveria estar fazendo o seu papel e respondendo pela educação básica e profissionalizante, completou Kajino.

A cidade de Bauru já possui cinco estabelecimentos de ensino público com salas especiais para atender portadores de deficiência auditiva, mental e visual (leia matéria na página 11).

Mais um sinal de avanço para quem luta para levar uma vida normal, com as alegrias e problemas do cotidiano.