09 de julho de 2026
Geral

Secretário rebate críticas do Ciesp

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Roberto Rufino afirma que, se não houve expansão industrial, a culpa não é da Administração, que vem trabalhando por isso.

O secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal de Bauru, Roberto Rufino, afirmou já ter tentado, várias vezes, estreitar relações com a diretoria da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, sem sucesso. Além disso, enfatizou as dificuldades financeiras pelas quais viria passando a Secretaria da qual é titular. Rufino procurou o Jornal da Cidade, ontem, para apresentar a versão da Secretaria em relação ao teor da entrevista publicada, no último domingo, com o diretor estadual e conselheiro local do Ciesp, Ricardo Marques Coube, na qual diz que sua Secretaria foi criticada.

O secretário diz concordar com a característica e potencial industrial da cidade, mas se defende dizendo que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) foi criada somente em março de 1999 e que a falta de expansão do setor, mais recentemente, não seria culpa da atual administração. Os indicadores econômicos comprovam que Bauru realmente tem característica industrial. Sobre o fato, concordamos em gênero e número com a declaração do conselheiro do Ciesp, Ricardo Coube, na edição do JC de domingo. Porém, é oportuno esclarecer que, se nos últimos dois anos e meio não houve maior expansão industrial, a culpa não cabe à atual administração. A Secretaria, que foi criada em março de 1999, fez o seu papel trabalhando em busca de investimentos e procurando, embora sem recursos, implantar uma política de atração às indústrias e serviços. Além disso, eu venho tentando estabelecer relações mais estreitas entre a Secretaria e a diretoria regional do Ciesp, mas tenho encontrado muitas dificuldades para atingir esse objetivo de forma plena, afirma Rufino.

Para o secretário, as denúncias de corrupção que envolveram a administração municipal anterior teriam prejudicado muito o desenvolvimento econômico de Bauru e resultado na fuga de investimentos. Bauru sofreu reflexos extremamente negativos com a turbulência de corrupções na administração passada. Os investimentos praticamente sumiram, pois nenhuma empresa tem interesse em se instalar numa cidade envolvida em páginas policiais. Daí o fato da expansão industrial não ter acontecido como deveria e se deslocado para outros municípios, como é o caso de Marília, apontada pelo entrevistado (Ricardo Coube), observa.

Quanto ao enfoque da necessidade de um plano de marketing, o secretário diz concordar e que estaria tentando fazer isso de uma forma doméstica, em função da falta de recursos da Prefeitura. Era exatamente essa a intenção da Secretaria. Ocorre que, antes de partir para um plano de marketing, era necessário um levantamento sócio-econômico de grande abrangência, com objetivo de alavancar as referências logísticas das potencialidades da cidade e região que, aliás, são o grande foco para despertar interesse nos investimentos. Temos referências logísticas de sobra, na área de localização, infra-estrutura, transportes, farta mão-de-obra, qualidade de vida etc, incluindo demanda de consumo das mais significativas. Mas, numa consulta a uma empresa especializada, o valor para esse levantamento ficava em torno de R$ 120 mil. Sem dinheiro disponível para isso, estamos usando as armas domésticas que temos: trabalho e muita vontade política, diz Rufino.

O secretário também classificou o projeto do Grupo Savoy como de grande importância e relevância para a cidade, no que diz respeito ao desenvolvimento e à geração de empregos. A conquista do mega-empreendimento Savoy é, sim, uma das maiores das últimas décadas. Segundo seu próprio presidente, senhor Hugo Salomone, deverá gerar dois mil novos empregos, entre diretos e indiretos, o equivalente a dez indústrias de porte médio. As obras do sistema viário devem começar em outubro, afirma.

Rufino também fez questão de frisar que, ao longo de pouco mais de dois anos, a SDE teria feito a doação de áreas para 28 pequenas indústrias, das quais 14 foram retomadas por não cumprimento dos prazos estabelecidos pelo Conselho de Apoio ao Desenvolvimento do Município (Cadem). As dificuldades das empresas em expansão teriam impedido mais doações durante esse período. No entanto, vale destacar as possibilidades de Bauru ter uma indústria sueca e também de uma indústria farmacêutica, que ainda não pode ser divulgada. No dia 28 deste mês, a unidade fabril da Belgo Mineiraserá inaugurada. No dia 31, será a vez da Indústria de Água Mineral da Spaipa (Coca-Cola). Existem outras ainda em confirmação, afirma o secretário.

Rufino encerra dizendo que a SDE tem procurado sempre estar atrelada aos projetos e interesses da regional do Ciesp. Promovemos, em conjunto, seminários sobre a distribuição do gás vindo da Bolívia e planejamos realizar a Feira Produtos Made in Bauru, que poderá abranger também a região, finaliza Roberto Rufino.